Não Desista, Siga Em Frente!

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Não Desista, Siga Em Frente!

Uma história de um menino que estava aprendendo a tocar piano relata que a mãe dele, desejando incentivá-lo, comprou-lhe ingressos para o recital de um renomado pianista. Na noite do concerto, mãe e filho sentaram-se quase na primeira fileira da sala de concertos. Enquanto a mãe conversava com algumas amigas, o menino silenciosamente saiu de seu lugar.

Subitamente, chegou o momento em que teria início o recital, e um foco único de luz cortou a escuridão da sala de concertos, iluminando o grande piano de cauda no palco. Só então a plateia percebeu o menininho sentado no banco do piano, inocentemente dedilhando uma canção infantil, e começou a rir dele.

A mãe ficou espantada, mas antes que pudesse mover-se, o mestre pianista entrou no palco e rapidamente dirigiu-se ao piano. Ele sussurrou ao menino: ‘Não desista, siga em frente’. Então, inclinando-se para a frente, o mestre estendeu a mão esquerda e começou a tocar o acompanhamento. Pouco depois, esticou o braço direito para o outro lado, envolvendo o menino, a fim de acrescentar um contracanto elaborado. Juntos, o mestre e o jovem aprendiz deixaram a plateia extasiada.

Em nossa vida, de vez em quando, nos sentimos desfalecidos em nossa luta espiritual. E esse conto é um lembrete comovente dos braços de nosso Grande Mestre envolvendo cada um de nós. Ele não chama os preparados, mas prepara os chamados com o intuito de criar uma obra-prima dentro de cada um deles. As Escrituras mostram que Deus se envolve pessoalmente em nosso desenvolvimento e sucesso.

Houve um tempo em minha vida em que me neguei a bênção de reconhecer a ajuda do Grande Mestre. Em vez de me concentrar nEle quando as dificuldades turvavam minha visão, sofri com nuances e incertezas sobre as quais não tinha controle, resultando em mais ansiedade e perspectiva confusa e sombria. Refletindo nisso, a busca por equilíbrio e clareza me trouxe diversos princípios reorientadores.

Buscar forças em Deus

O ato de seguir a Deus não é algo que “acontece automaticamente”. Pois, ser discípulo exige uma intenção deliberada de renunciar à própria vontade, tomar a cruz e segui-Lo custe o que custar. Em nosso discipulado, pode haver momentos em que nos sentimos tão afligidos pela dor, física ou emocional, que parece que estamos definhando de tanta tristeza. E talvez, assim como Jó, sentimos muita mágoa, decepção e solidão por causa da falta de apoio das pessoas. Para alguns, a dor do passado pode permanecer no presente ou nossos próprios pensamentos podem nos manter cativos.

A verdade é que nosso inimigo tem grande poder. Mas, enfim, vamos rotulá-lo pelo que ele é: um inimigo derrotado. Então, por que ouvimos os pensamentos que ele coloca em nossa cabeça? Nosso Grande Mestre é maior e nossa força precisa vir dEle.

Não podemos controlar tudo o que acontece conosco, mas podemos estar seguros de que Deus não permitirá provações aleatórias em nossas vidas apenas para nos deixar com medo. Nossa vida não é apenas um exercício fútil de ansiedades. Deus não brinca com nossa fé. Quando amamos a Deus e temos o Seu Espírito habitando em nós, Ele atua para nos preparar para o Seu Reino vindouro. Tudo o que vivenciarmos tem o intuito de nos transformar à semelhança de Jesus Cristo, e nada acontece em vão.

A fé nos garante que Ele sempre estará conosco — então, podemos encontrar força e esperança vendo o que não pode ser visto. À medida que Seu plano para nós avança, devemos confiar que Ele está no controle e que nunca nos abandonará. Reserve um tempo para ver o invisível. Faça uma lista das intervenções de Deus em sua vida e agradeça a Ele.

Leia 2 Samuel 22 e Salmos 18 e descubra o estreito relacionamento pessoal que Deus tem com cada um de nós. E dessas passagens podemos extrair as seguintes lições de esperança:

Quando estou ansioso, Ele é minha Rocha.

Quando estou indefeso, Ele é minha Fortaleza.

Quando estou angustiado, Ele é meu Libertador.

Quando estou cansado, Ele é minha Força.

Quando estou cercado pelo mal, Ele é meu Escudo.

Quando estou vulnerável, Ele é meu Refúgio.

Quando estou desesperado, Ele é meu Apoio.

Quando estou perdido, Ele é Minha Luz.

Isaías expressa isso dessa forma: “Você não ouviu? Não entendeu? O SENHOR é o Deus eterno, o Criador de toda a terra. Ele nunca perde as forças nem se cansa, e ninguém pode medir a profundidade de sua sabedoria. Dá forças aos cansados e vigor aos fracos. Até os jovens perdem as forças e se cansam, e os rapazes tropeçam de tão exaustos. Mas os que confiam no SENHOR renovam suas forças; voam alto, como águias. Correm e não se cansam, caminham e não desfalecem” (Isaías 40:28-31, Nova Versão Transformadora).

Pergunte a si mesmo: Alguma vez fiquei decepcionado com alguém por não me apoiar tanto quanto achei que deveria? Se for o caso, será que cheguei a pensar que talvez o desejo de Deus era que eu buscasse forças nEle e não nos outros? Eu estaria disposto a perdoar aqueles que acredito que falharam comigo e a ponderar no que Deus realmente quer de mim?

Entenda a perspectiva das prioridades de Deus

Dificuldades significativas trazem questões significativas. Antes de a longa série de problemas invadir as nossas vidas, talvez estivéssemos satisfeitos com a nossa compreensão da soberania de Deus e da forma como Ele age. Entretanto, quando as questões não são apenas teóricas, mas bem reais, o consolo não pode ser encontrado em uma religiosidade banal. Na verdade, queremos respostas enquanto tentamos dar sentido às nossas debilidades e incertezas. Às vezes não há respostas fáceis. E questionar o paradeiro de Deus quando nos sentimos abandonados é uma resposta tipicamente humana, que demonstra o quanto precisamos desesperadamente de Sua graça e misericórdia.

Muitas vezes, as razões de nosso sofrimento estão mascaradas e a verdade só pode ser descoberta quando o Espírito Santo ilumina nosso entendimento para enxergarmos que o maior desejo de Deus é que cresçamos à semelhança de Seu Filho. Sempre haverá provações singulares para nós, porque fazem parte de nossa preparação. E somente quando essa compreensão se tornar enraizada em nossa mente é que encontraremos a paz transcendental, que nos liberta da raiva, da decepção ou da amargura em relação a Deus.

Em Mateus 6:8-10 Jesus nos mostra como orar: “Porque o seu Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de O pedirem. Vocês, orem assim: ‘Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o Teu nome. Venha o Teu Reino; seja feita a Tua vontade, assim na Terra como no céu” (NVI).

Então, nosso Pai já sabe exatamente o que precisamos antes mesmo de pedirmos. Portanto, a oração deve envolver mais do que apenas apresentar nossas necessidades a Ele. Pois se Deus já sabe disso, então por que pedir? A oração deve começar reconhecendo que Deus é nosso Pai e que nós somos Seus filhos. Então, devemos honrá-Lo, antevendo e saudando Seu Reino na Terra e ansiando pelo dia em que Ele reinará sobre as nações, além de buscar nos alinhar a Sua vontade. Por quê? Porque orar dessa forma permite que nossa mentalidade transcenda as limitações da realidade física.

Reflita nisto: Orar da maneira recomendada, muda a forma como pensamos. Isso nos ajuda a reconhecer as prioridades de Deus, a manter o foco num propósito mais elevado e a modificar nossa perspectiva para estar mais alinhada com a dEle.

A irritação é uma mestra

Ponderemos na única gema produzida pelo estresse e pela irritação de uma intrusão indesejada: a pérola. Quando algum agente externo invade a concha de uma ostra, sua resposta defensiva é secretar uma mistura de minerais criando nácar, ou madrepérola, ao redor do corpo estranho, mantendo assim a ostra segura e confortável. O nácar tem extraordinária resistência e resiliência, sendo mais leve, porém mais forte que o concreto e tão durável quanto o silicone. Ao longo do tempo, camada por camada, uma joia de grande beleza é produzida através do estresse e da irritação, e sem isso a pérola não existiria.

Eu ouvi um sermão prático que destacava o seguinte: “Se amamos a Deus e fomos chamados de acordo com Seu propósito, tudo o que vivenciamos, seja bom ou mau, ajuda a nos transformar à semelhança de Jesus Cristo. Quando você é filho de Deus, nada é em vão. Até mesmo experiências e eventos dolorosos fazem parte de um grande propósito”.

O método de Deus para gerar crescimento espiritual envolve a intromissão de situações irritantes em nossas vidas. E isso pode incluir decepções, dificuldades de relacionamento, ansiedade, doenças ou outros problemas decorrentes de nossas próprias imperfeições. A maneira como respondemos a isso determina nossa proximidade com Deus e o desenvolvimento de nossa maturidade espiritual. A fé nos mostra que Deus está trabalhando em nossas vidas. Essa perspectiva é crucial para evitar ressentimentos e nos tornar discípulos com um caráter maduro. Então, quando respondemos às provações com fé, construímos uma resistência resiliente (Romanos 5:3-4; Tiago 1:2-4).

A fé não significa que estamos protegidos das provações, mas que reconhecemos que elas servem a um propósito espiritual. Então, sempre que tenho dificuldade para manter essa perspectiva, eu digo em voz alta para mim mesma: “O plano de Deus para mim está dentro do prazo”. Portanto, se perdermos essa perspectiva, devemos, como nos diz Tiago 1:5, pedir sabedoria a Deus com fé e ela nos será dada. Assim, precisamos parar um momento e pedir a Ele que nos conceda a sabedoria e a perspectiva que necessitamos para seguir em frente.

O famoso escritor C.S. Lewis tomou emprestada uma analogia da parábola de outro escritor, George MacDonald, escrevendo: “Imagine-se como uma casa, uma casa viva. Deus chega para reformar e reconstruir essa casa. No começo, talvez você consiga entender o que Ele está fazendo. Ele desentope os ralos, conserta as goteiras do telhado e assim por diante: você sabia que esses consertos eram necessários e por isso não se surpreende. Mas de repente Ele começa a derrubar as paredes da casa; isso lhe causa uma dor terrível e aparentemente não tem sentido”.

“O que Ele pretende fazer? A explicação é que Ele está construindo uma casa muito diferente da que você queria ser — está construindo uma nova ala aqui, acrescentando um novo pavimento ali, erguendo torres, abrindo pátios. Você pensava que seria transformado num simpático chalezinho, mas Ele está construindo um palácio no qual pretende habitar em pessoa” (Cristianismo Puro e Simples, p. 70).

Entenda que haverá dores de cabeça, frustrações, arrependimentos, obstáculos físicos e emocionais que poderão minar a nossa determinação — mas uma resposta desesperada ao sofrimento pode se tornar um impedimento à nossa fé. Então, pergunte-se: Contarei minha história da perspectiva de uma vítima ou de um herói, do desespero ou da esperança, do trauma ou da persistência, do medo ou da coragem, do ressentimento ou do perdão, de uma mentalidade física ou espiritual?

Aceitar os desafios permitidos por Deus

Um aspecto difícil da luta do ser humano tem sido reconciliar um Deus amoroso que tem a capacidade de acabar com os sofrimentos, as injustiças e as atrocidades, mas opta por não fazer isso. Como podemos acreditar que Ele compartilha de nossas tristezas, nos ama, se interessa por nós e ouve nossos clamores, mas permite que passemos por dificuldades?

Nesse contexto, Hebreus 5:7-8 é uma passagem conveniente para meditação. Nela, temos um vislumbre da luta pessoal que o ser humano Jesus Cristo teve antes de Seu intenso sofrimento e execução torturante. Por três vezes, Ele implorou ansiadamente e com lágrimas de sangue Àquele que poderia livrá-Lo do que estava prestes a acontecer. Ele clamou a Deus para livrá-Lo daquilo e talvez encontrar outra solução. Ele lutou contra a angústia e o sofrimento (Lucas 22:42; Mateus 26:38). Contudo, Ele demonstrou Sua fidelidade aceitando e se submetendo humildemente ao perfeito plano divino quando este não foi alterado.

Hebreus 12:2-3 diz que Ele suportou tudo “pela alegria que lhe fora proposta”, o que significa que Ele manteve os olhos num propósito maior. A provação dEle foi temporária, mas Sua recompensa foi eterna. E isso O qualificou de forma única para ser nosso Advogado. A morte dEle confirma a verdade de que nossa dor, sofrimento e lágrimas nunca são ignorados. Ele entende o que significa agonizar e batalhar contra os desafios iminentes. Ele compreende a dor da injustiça, a profundidade do sofrimento emocional e físico, e também o limite do sofrimento humano. Jesus entende nossa luta para manter o foco no plano de Deus enquanto procuramos nos submeter a Ele.

No meio da oração de Cristo, um anjo apareceu para ajudá-Lo, dando-Lhe forças para suportar o que estava prestes a acontecer (Lucas 22:43). E da mesma forma, quando colocamos nossos temores e ansiedades diante do trono de Deus, nossas petições chegam aos Seus ouvidos. Ele proverá a força necessária para suportarmos o que está por vir. Nas palavras de 2 Samuel 22:7: “Estando em angústia, invoquei ao SENHOR e a Meu Deus clamei; do Seu templo ouviu Ele a minha voz, e o meu clamor chegou aos Seus ouvidos”.

Algumas reflexões finais para refletir: A crucificação de Cristo é, simultaneamente, o pior e o melhor de todos os acontecimentos históricos. Aquele túmulo vazio testemunhou a mais incrível história de amor de todos os tempos. O fato de saber o que aguardava toda a humanidade do outro lado era uma razão para Ele suportar tudo aquilo. Agora nós também temos um motivo para perseverar, sabendo o que está por vir. Ele pode não remover nossas angústias, mas sabe que nossa dor deve ser levada em conta. Ele comungará conosco em nosso sofrimento enquanto somos transformados em pessoas santas que dependem dEle, sabendo quem somos e a quem pertencemos.

Lembre-se da história do mestre e do menino e “não desista, siga em frente”. O que fazemos nesta vida ecoa na eternidade. Portanto, vamos manter nossos olhos fixos nesse grandioso propósito, sabendo que nosso Grande Mestre está sempre conosco.