Uma Vida de Sacrifício Guiada Pelo Espírito



Com a presença interior de Deus Pai e de Jesus Cristo, os cristãos devem prosseguir com diligência, fé e virtude—buscando a vontade de Deus acima de tudo.

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Fuente: Scott Ashley

Ao longo dos recentes artigos da coluna "Siga-me", fizemos uma longa jornada pelas Escrituras para ver o que Cristo quis dizer ao prometer: "Não vos deixarei órfãos; voltarei a vós" (João 14:18).

Através dessa nossa jornada juntos, chegamos a entender que o dom do Espírito Santo (Atos 2:38) não é apenas uma poderosa ferramenta espiritual, mas também é a natureza pura de quem e o que é Deus Pai e Jesus Cristo (Romanos 8:9-11). Deus dá esse Espírito "àqueles que Lhe obedecem" (Atos 5:32) — aqueles que dedicam suas vidas a obedecê-Lo.

Essa é a essência divina que nosso Pai Celestial deseja transmitir, e que permitiu a Paulo declarar: "Não sabeis vós que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?" (1 Coríntios 3:16). Deus deseja fazer morada dentro de nós!

E qual é o propósito de Deus em nos dar Seu Espírito? Paulo explica em Romanos 8: "Aqueles que se deixam controlar por sua natureza inferior, vivem tão somente para agradar a si próprios; mas aqueles que seguem o Espírito Santo, constatam que fazem as coisas que agradam a Deus. Seguir o Espírito Santo conduz à vida e à paz...

"Porque a velha natureza pecaminosa dentro de nós está contra Deus. Ela nunca obedeceu às leis divinas e nunca o fará. É por essa razão que nunca podem agradar a Deus aqueles que ainda estão sob o controle de sua própria natureza pecaminosa, inclinados a seguir seus antigos desejos malignos. Vocês, porém, não são assim. Vocês são controlados pela nova natureza, se tiverem o Espírito de Deus, morando em vocês...” (Romanos 8:5-9, Bíblia Viva).

Diante de tudo que foi dito, a pergunta simples é: Então, o que vamos fazer a partir daqui? Na coluna anterior, deixei-vos com um pensamento: Se Cristo habita em nós, e recebemos a salvação pela graça de Deus, e não por nosso próprio mérito humano (Efésios 2:8), então o que nos resta fazer?

Viver o caminho de Deus como Seu sacerdócio

Devemos apenas ficar quietos e banharmos na luz da graça de Deus? Não! Em seu comentário sobre a segunda epístola de Pedro, William Barclay oferece essa percepção: "A verdade é que, como veem os cristãos, a felicidade depende tanto do dom de Deus quanto de nosso esforço. Nós não ganhamos a salvação, mas ao mesmo tempo temos que canalizar toda nossa energia para esse objetivo cristão... A fé não nos desobriga das obras; a generosidade de Deus não nos isenta do esforço" (A Nova Bíblia de Estudo Diário: As Epístolas de Tiago e Pedro, 2003, p. 346).

Isto é, a fé (pela graça sustentadora de Deus) sem obras (obediência e entrega total a Deus como nossa grata resposta) está morta (Tiago 2:17-18)!

O chamado de Cristo para segui-Lo é multidimensional. Não se trata apenas de ser um discípulo (estudante e seguidor) para aprender um caminho de vida, mas também ser o templo de Deus, carnal e ambulante, que se movimenta em direção ao Reino de Deus. Também somos chamados a ser um "sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas Daquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz" (1 Pedro 2:9).

Apocalipse 5:10 é mais explícito ao delinear a intenção de Deus, dizendo que os seguidores de Cristo vão se tornar "reis e sacerdotes" em Seu futuro governo mundial. A realidade bíblica é que agora estamos em treinamento para nos tornar um reino de sacerdotes santos sob a tutela do grande Sumo Sacerdote celestial, Jesus Cristo (Hebreus 3:1). O que fazem os sacerdotes? Eles ensinam e orientam sobre a adoração, entoam louvores e agem como intermediários, inclusive oferecendo sacrifícios.

O chamado cotidiano para ser um sacrifício vivo

Talvez não haja meio mais completo de adorar e louvar a Deus, por nos ter concedido Seu Espírito de natureza divina, do que nos sacrificarmos diariamente.

Paulo fala a respeito disso em Romanos 12:1-2: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus".

Nossa resposta humana à graça espiritual de Deus é nos oferecer diariamente a Ele e ao próximo. Morrer em martírio por Deus é algo incrível, mas em um sentido, igualmente desafiador, de viver diariamente para Ele, vivendo como Jesus Cristo, e tendo nossas mentes e pensamentos transformados ao "andar como Ele andou" (1 João 2:6) e também morrer "todos os dias" (1 Coríntios 15:31) — ato por ato, necessidade por necessidade, pessoa a pessoa.

Como podemos entregar, diligentemente, cada elemento de nosso território humano em um alinhamento santo e aceitável para a justiça que nos é transmitida através de Sua natureza divina? Esteja atento: Isso não é apenas um evento momentâneo, mas um processo ao longo da vida. E lembre-se, Jesus prometeu: "Voltarei a vós". Não estamos sozinhos!

Após a incrível declaração sobre ser participantes da natureza divina, em 2 Pedro 1:4, Pedro apresenta as qualidades sistemáticas para guiar nossa vida sacrificial conduzida pelo Espírito, em que Deus governa nosso coração. O apóstolo explica nossa contrapartida, ao recorrer à justiça de Deus que, em última instância, deve ocupar todos os traços de nossa vida.

Diligência com zelo

Ele começa no versículo 5, onde nos exorta a empregar "toda a diligência" em resposta ao chamado do Pai Celestial e ao dom de Seu Espírito Santo. A palavra grega original denota um sentimento de zelo em relação à missão outorgada. Um tipo de dedicação que requer foco e, é claro, autossacrifício.

Tem-se dito que muitas pessoas não almejam nenhum objetivo na vida, e isso é quase certo. Lembra-se do comentário de Barclay de que "temos que canalizar toda nossa energia para esse objetivo cristão"? Embora a salvação seja dom de Deus, Ele quer ver o nosso desejo responsivo de lutarmos por ela todos os dias. E a oportunidade para isso virá minuto a minuto e pessoa a pessoa quando menos esperarmos — mas precisamos estar preparados.

Lembro-me das palavras do pianista e compositor Jan Paderewski quando um colega pianista lhe perguntou se estaria pronto para tocar um recital a qualquer momento. O famoso músico respondeu: "Estou sempre pronto. Por quarenta anos, eu tenho praticado oito horas por dia”. O outro pianista comentou: "Gostaria de ter nascido com sua determinação”. Então, Paderewski respondeu: "Todos nós nascemos com ela. E eu acabei de usar a minha".

Lembremo-nos de que aqueles dentre nós que foram espiritualmente convertidos, foram todos abençoados “com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo" (Efésios 1:3). Esse mesmo Espírito determinado de Cristo, que dizia "todavia não se faça a Minha vontade, mas a Tua" (Lucas 22:42), reside em cada um de nós para nos dar essa determinação!

Mas temos recorrer a ele! Ser cristão exige diligência e prática contínua por meio de um zelo que nos consome como exemplificou Jesus (João 2:17). É preciso total compromisso para aprender e viver a Santa Palavra de Deus. A vida sempre tem constantes reviravoltas e interrupções. Seja zeloso e diligente, permitindo que o Espírito de Deus ocupe cada faceta de sua vida e determine sua verdadeira prioridade — louvar a Deus não apenas da boca para fora, mas através de suas atitudes.

Fé e virtude — e a entrega de nossa vida

Continuando em 2 Pedro 1:5, o apóstolo segue dizendo para construir diligentemente com a fé. A fé é mais do que acreditar no que você tem em mãos. Como expressa Hebreus 11:1: "O que é fé? É a convicção segura de que alguma coisa que nós queremos vai acontecer. É a certeza de que o que nós esperamos está nos aguardando, ainda que o não possamos ver adiante de nós" (Bíblia Viva).

Simplificando, quando a fé vai ao mercado, ela leva um cesto. A fé cristã não é institucionalizada, mas é personalizada e ecoa nas palavras de Paulo em 2 Timóteo 1:12: "Porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia".

Essa fé lembra-nos e, às vezes, até nos restaura a jornada, fazendo-nos refrescar nessa promessa: "Voltarei a vós" e — ou ainda melhor — "Não te deixarei, nem te desampararei" (Hebreus 13:5).

De volta a 2 Pedro 1:5, Pedro enfoca a virtude como uma resposta fundamentada na bondade de Deus, que a nós foi concedida. A raiz da palavra grega arete denota uma excelência moral intrínseca e visível aos outros. Uma imagem vale mais que mil palavras. Por isso, será que é de se admirar que Cristo tenha dito que devemos ser uma luz para essa sociedade em trevas e não permanecer escondido debaixo de um cesto? (Ver Mateus 5:14-16.)

Claro que isso não se trata de se autopromover, mas de se humilhar num autossacrifício — permitindo que Jesus Cristo, como a luz do mundo (João 8:12), brilhe para os outros através de nós. Isso requer fé, coragem e, certamente, prática — não nos pontos fracos da vida, mas em momentos em que nossos joelhos podem até tremer, mas que nossos corações estão firmes.

O sacrifício não é barato. Isso vai nos custar algo — nós mesmos. Jesus Cristo, é claro, deu tudo de Si. Quando as pessoas olham para nós, elas testemunham a luz brilhante de Cristo — imitando a vida sacrificial de nosso Mestre? Ou veem apenas a chama flamejante de uma devoção momentânea?

Uma vida de sacrifício guiada pelo Espírito não pode ser aperfeiçoada da noite para o dia. Não é um evento congelado no tempo, mas uma aventura gradual que abrange todos os dias de nossa vida. Ela não pode ser cumprimida em um momento, nem tampouco as qualidades que se necessita podem ser condensadas em uma coluna.

Portanto, vamos continuar caminhando juntos até ao próximo artigo e além, enquanto seguimos explorando as qualidades da vida de sacrifício guiadas pelo Espírito, que exemplifica nosso desejo de permanecer no caminho diante de nós à medida que respondemos ao chamado de seguir a Cristo. BN

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