Comentário Bíblico: Levítico 26

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A recompensa da obediência e a retribuição da desobediência

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Bênçãos e Maldições

Deus havia feito promessas incondicionais de grandeza nacional a Abraão, Isaque, Jacó e José, visto que Ele assumiu o compromisso de concedê-las aos seus descendentes em fidelidade à Sua Palavra. Entretanto, Deus ainda não tinha estabelecido um prazo definido para isso; a única condição era que a ascensão da nação ocorresse nesta época, permitindo que os israelitas dominassem “a porta dos seus inimigos” (ver Gênesis 22:17). Como Israel ainda não era uma nação antes da época de Moisés, em meados do século XV antes de Cristo, houve um intervalo de quase 3.500 anos até o tempo do fim para que as bênçãos do direito de primogenitura fossem concedidas.

Então, será que Deus concederia essas bênçãos logo no início daquele período para a recém-formada nação de Israel durante sua jornada para a Terra Prometida? Tudo indica que Ele as teriaconcedido se Israel tivesse mantido a obediência ininterrupta, conforme apresentada neste capítulo, Levítico 26, e em sua passagem paralela, Deuteronômio 28. (Novamente, as bênçãos eram incondicionais, mas Deus podia estabelecer condições relacionadas ao tempo em que seriam concedidas).

Logo no início de Levítico 26, Deus enfatiza as proibições contra a idolatria e a violação do sábado, exatamente os mesmos pecados que levaram Israel ao cativeiro pelos assírios mais de setecentos anos depois (comparar Ezequiel 20:18–24). Em seguida, o Eterno estabelece as condições que precisariam ser cumpridas para que eles começassem a receber imediatamente as bênçãos do direito de primogenitura: “Se andardes nos Meus estatutos, e guardardes os Meus mandamentos, e os fizerdes, então, Eu vos darei...” (versículos 3-4).

O clima e a terra em condições ideais produziriam sucessivas e abundantes colheitas. Haveria tanta abundância que eles teriam que esvaziar os estoques excedentes para guardar a colheita seguinte  (versículos 4-5). A terra não seria invadida por serpentes venenosas, nuvens de gafanhotos ou as moscas tsé-tsé que causam doenças no continente africano. Animais selvagens não atacariam os vilarejos nem devorariam as pessoas, como ainda ocorre em certas regiões da África e da Índia.

Além disso, os israelitas viveriam em constante paz, sem temor de ataques estrangeiros (versículo 6). Abençoados com recursos naturais e com poder para repelir qualquer agressão militar (versículos 7-8), eles logo se tornariam a nação mais poderosa e influente do mundo. Esse era o direito de primogenitura prometido a Israel!

Contudo, a desobediência traria um resultado diferente, pelo menos temporariamente. Os israelitas sofreriam com doenças, secas, quebras de safra, fome e pestes. Eles seriam invadidos e derrotados, teriam seus bens saqueados e acabariam escravizados, assim como aconteceu quando estavam no Egito. Lamentavelmente, essas mesmas maldições os atingiram várias vezes na época dos juízes. Ainda assim, eles não aprenderam a lição. Durante o período da monarquia dividida, Israel mergulhou ainda mais na idolatria a Baal e outros deuses falsos. Finalmente, eles foram alcançados pelas outras maldições de Levítico 26, inclusive o exílio como nação e um hiato de 2.520 anos antes de receberem essas bênçãos de grandeza nacional.

Enfim, Deus concedeu o direito de primogenitura da grandeza nacional aos descendentes modernos de Israel, conforme havia prometido. Como resultado disso, os Estados Unidos, a Inglaterra, o Canadá, a Austrália, a Nova Zelândia e demais territórios de ascendência britânica, além dos países do noroeste europeu, ainda que em menor medida, foram imensamente abençoados (para obter mais informações, peça ou baixe o guia de estudo bíblico gratuito “Os Estados Unidos e a Inglaterra em Profecia Bíblica”). Mas o cronograma disso ainda está nas mãos de Deus, que não tem nenhuma obrigação de manter essas bênçãos indefinidamente nesta era. Na verdade, diversas profecias indicam claramente que essas maldições, descritas em Levítico 26, atingirão novamente os atuais descendentes de Israel, e de maneira mais grave do que em qualquer período anterior. “Todas as nações perguntarão: "Por que o SENHOR fez isto a esta terra? Por que tanta ira e tanto furor? E a resposta será: Foi porque este povo abandonou a aliança do SENHOR, o Deus dos seus antepassados” (Deuteronômio 29:24-25, NVI).

Alguns argumentam que Deus não lida mais com a descendência física de Israel sob os princípios de Levítico 26 e Deuteronômio 28, uma vez que Ele se divorciou da antiga nação de Israel e a aliança matrimonial do Sinai chegou ao fim na morte de Cristo. Todavia, enquanto o vínculo matrimonial da aliança sinaítica entre Deus e a Israel física tenha chegado ao fim, o relacionamento dEle com o Seu povo, baseado em promessas anteriores feitas a Abraão e em outras alianças estabelecidas com Israel além do pacto matrimonial da Antiga Aliança, permaneceplenamente em vigor.

Na verdade, esse relacionamento matrimonial da Antiga Aliança já havia sido estabelecido antes de Levítico 26, evidenciando que as bênçãos e maldições são independentes desse compromisso. Essa distinção fica ainda mais nítida quando levamos em conta que, logo após os termos praticamente idênticos de Deuteronômio 28, a Bíblia nos diz: “Estas são as palavras da aliança que o SENHOR ordenou a Moisés que fizesse com os filhos de Israel, na terra de Moabe, além da aliança que fizera com eles em Horebe” (Levítico 29:1, ACF). Portanto, os princípios delineados em Levítico 26 e Deuteronômio 28 continuam em vigor.

É importante notar também que muitas das leis de Deus são autoaplicáveis, o que significa que a violação delas gera consequências punitivas: “A tua malícia te castigará, e as tuas infidelidades te repreenderão” (Jeremias 2:19, ARA). Por exemplo, antes de Levítico 26, lemos as instruções de Deus sobre quais tipos de carne animal são adequados para o consumo humano. A alimentação baseada em animais que Deus define como “imundos” e impróprios pode desencadear várias patologias e problemas de saúde naqueles que negligenciam as Suas instruções (você pode ler o que diversos médicos e nutricionistas dizem sobre isso em nosso guia de estudo bíblico grátis “O Que a Bíblia Ensina Acerca de Carnes Limpas e Imundas?”).

Igualmente, desprezar as leis divinas relativas ao matrimônio e à sexualidade pode resultar em epidemias devastadoras, a exemplo da AIDS e de outras infecções sexualmente transmissíveis, além de outras consequências, como lares sem pai e os consequentes aumentos da pobreza, da criminalidade, do abuso infantil e do abuso de substâncias. Além disso, não podemos ignorar o fato de que um declínio nos padrões morais enfraquece o próprio tecido de qualquer sociedade e, caso não seja revertido, torna qualquer povo ou nação um alvo tentador para ataques militares e invasões, conforme se evidenciou em diversos momentos da história humana. Toda vez que surgir a tentação de crer que as leis divinas são irrelevantes para nós ou que perderam sua validade, devemos considerar seus benefícios e as possíveis consequências imprevistas de violá-las. Sem dúvida, esse princípio é parte integrante da advertência contida em Levítico 26 e Deuteronômio 28.

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