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Os Apóstolos e a Lei de Deus do Antigo Testamento

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"Porém, respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Mais importa obedecer a Deus do que aos homens" (Atos 5:29 Atos 5:29Respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Importa antes obedecer a Deus que aos homens.
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).

Como temos visto repetidas vezes, uma das visões mais equivocadas da Nova Aliança é a ideia de que através dela Jesus Cristo extinguiu a obediência às leis contidas no Antigo Testamento. Essa concepção errada foi ensinada — com muitas variações — por quase dois mil anos. Por isso, é crucial esclarecer definitivamente o que os apóstolos de Cristo realmente ensinaram sobre as leis que definem a justiça encontrada no Antigo Testamento.

Um índice na Bíblia Judaica Completa cataloga 695 citações separadas das passagens do Antigo Testamento no Novo Testamento (David Stern, 1998, págs. 1610-1615). Em dezenas de lugares adicionais, o Antigo Testamento é referido (como nos casos em que um personagem do Antigo Testamento é mencionado), mas não é citada nenhuma escritura específica.

Dependendo de que obra de estudioso você examine, é possível perceber que o número de citações e referências do Velho Testamento no Novo Testamento alcança a soma de 4105 citações (Roger Nicole, Comentário Bíblico do Expositor, 1979, vol. 1, pág. 617). Em comparação, os escritores do Novo Testamento citaram outros escritores do Novo Testamento apenas quatro vezes. Mesmo assim, algumas pessoas ainda argumentam que o ensinamento no Novo Testamento é que o Antigo Testamento está obsoleto, válido apenas para um povo específico e em um tempo restrito na história.

O Comentário Bíblico do Expositor observa que o Antigo Testamento permeia o pensamento e escritos dos autores do Novo Testamento: "Uma característica muito marcante do Novo Testamento (NT) é a medida que se alude ou cita o Antigo Testamento (AT). Ele apela para o AT, a fim de fornecer a prova das declarações feitas, a confirmação de posições defendidas, a ilustração de princípios avançados e as respostas às questões levantadas.

"Muitas vezes, mesmo quando nenhuma citação formal é dada ou talvez até mesmo pretendida, os escritores do Novo Testamento seguem a forma de pensamento ou de linguagem modelada das passagens do Antigo Testamento. É evidente que os escritores do NT e nosso próprio Senhor estavam tão imersos na linguagem e verdades da revelação do AT, que eles naturalmente se expressavam em termos que o lembrava" (ibidem).

Aqueles que insistem que o Novo Testamento ensina que o Antigo Testamento é irrelevante e anacrônico para os cristãos de hoje ignoram a abundância de evidências em contrário dentro desse mesmo Novo Testamento!

A maneira mais simples de entender como o Antigo Testamento se aplica aos cristãos sob a Nova aliança é meramente vendo o que os apóstolos ensinaram sobre o assunto. Afinal, esses homens eram os mais próximos a Jesus Cristo, depois de ter passado muito tempo com Ele, e foram ensinados pessoalmente por Ele.

Primeiro vamos olhar para Tiago, Pedro, João e Judas, cujas epístolas levam seus nomes. Seus escritos são chamados de "epístolas gerais" porque são dirigidas a todos os cristãos e incluem instruções cristãs gerais. Então vamos deixar que Paulo explique por si mesmo como ele se sentia quanto a obediência das escrituras do Antigo Testamento.

A visão de Tiago acerca da lei

Aparentemente, a epístola de Tiago foi a primeira, dentre esses quatro escritores, que foi escrita algum tempo antes de ser martirizado, em 62 d.C. Como meio-irmão de Jesus Cristo (Mateus 13:55 Mateus 13:55Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão, e Judas?
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), ele estava, sem dúvida, intimamente familiarizado com a atitude e a abordagem de Jesus quanto ao Antigo Testamento e as leis de Deus.

Tiago não poderia ser mais claro quanto ao seu entendimento de como as leis de Deus deveriam ser aplicadas aos cristãos. Ele se refere à lei como a "lei real" (Tiago 2:8 Tiago 2:8Todavia, se estais cumprindo a lei real segundo a escritura: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo, fazeis bem.
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) e a "lei da liberdade" (versículo 12), reconhecendo que a obediência à lei nos liberta do pecado e de suas consequências prejudiciais. "Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito", ele escreve em Tiago 1:25 Tiago 1:25Entretanto aquele que atenta bem para a lei perfeita, a da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas executor da obra, este será bem-aventurado no que fizer.
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.

Ele novamente defende especificamente a guarda dos mandamentos de Deus, quando escreve: "Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis" (Tiago 2:8 Tiago 2:8Todavia, se estais cumprindo a lei real segundo a escritura: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo, fazeis bem.
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; citando Levítico 19:18 Levítico 19:18Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor.
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). Ele passa a explicar que não podemos escolher quais dos mandamentos de Deus devemos obedecer, antes de concluir falando que devemos falar e agir "como devendo ser julgados pela lei da liberdade" (versículo 12).

Tiago também nos diz que simplesmente falar que temos fé e cremos em Deus é inútil — porque até mesmo os demônios sabem disso (versículo 19). Ele usa os exemplos de Abraão e Raabe, do Antigo Testamento, para mostrar que nossa fé deve ser acompanhada de ações — porque a fé sem obras é morta (versículos 17-26).

Ele também aponta que não é suficiente simplesmente evitar o pecado — que se sabemos fazer o bem, mas não o fazemos, também é pecado (Tiago 4:17 Tiago 4:17Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado.
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). Assim como Jesus Cristo fez, no Sermão da Montanha (Mateus 5:17-48 Mateus 5:17-48 [17] Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir. [18] Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei um só i ou um só til, até que tudo seja cumprido. [19] Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus. [20] Pois eu vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus. [21] Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e, Quem matar será réu de juízo. [22] Eu, porém, vos digo que todo aquele que se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e quem disser a seu irmão: Raca, será réu diante do sinédrio; e quem lhe disser: Tolo, será réu do fogo do inferno. [23] Portanto, se estiveres apresentando a tua oferta no altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, [24] deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai conciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem apresentar a tua oferta. [25] Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele; para que não aconteça que o adversário te entregue ao guarda, e sejas lançado na prisão. [26] Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil. [27] Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. [28] Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela. [29] Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno. [30] E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que vá todo o teu corpo para o inferno. [31] Também foi dito: Quem repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio. [32] Eu, porém, vos digo que todo aquele que repudia sua mulher, a não ser por causa de infidelidade, a faz adúltera; e quem casar com a repudiada, comete adultério. [33] Outrossim, ouvistes que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás para com o Senhor os teus juramentos. [34] Eu, porém, vos digo que de maneira nenhuma jureis; nem pelo céu, porque é o trono de Deus; [35] nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei; [36] nem jures pela tua cabeça, porque não podes tornar um só cabelo branco ou preto. [37] Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não; pois o que passa daí, vem do Maligno. [38] Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. [39] Eu, porém, vos digo que não resistais ao homem mau; mas a qualquer que te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; [40] e ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; [41] e, se qualquer te obrigar a caminhar mil passos, vai com ele dois mil. [42] Dá a quem te pedir, e não voltes as costas ao que quiser que lhe emprestes. [43] Ouvistes que foi dito: Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo. [44] Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem; [45] para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos. [46] Pois, se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? não fazem os publicanos também o mesmo? [47] E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis demais? não fazem os gentios também o mesmo? [48] Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial.
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), Tiago chama os cristãos para um padrão de conduta mais elevado do que simplesmente seguir a letra da lei — ele espera que vivamos por sua plena intenção espiritual.

Pedro utiliza o Antigo Testamento como a sua autoridade

O apóstolo Pedro era um líder entre os apóstolos e desempenhou um papel importante na Igreja primitiva. Somente duas cartas de Pedro é que foram preservadas, as apístolas 1 e 2 Pedro, ambas aparentemente escritas nos anos 60 d.C., antes de ele ser martirizado no ano 67 ou 68 d.C.

O que essas cartas nos dizem sobre como Pedro enxergava o Antigo Testamento e a lei de Deus? Embora o tema da guarda da lei não apareça diretamente em nenhum lugar nas epístolas de Pedro, o que ele escreveu deixou bem claro suas opiniões.

Ele repete a ordem de Deus em Levítico 11:44 Levítico 11:44Porque eu sou o Senhor vosso Deus; portanto santificai-vos, e sede santos, porque eu sou santo; e não vos contaminareis com nenhum animal rasteiro que se move sobre a terra;
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, nos dizendo para "ser santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito [nas Escrituras do Antigo Testamento] está: Sede santos, porque eu sou santo" (1 Pedro 1:15-16 1 Pedro 1:15-16 [15] mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em todo o vosso procedimento; [16] porquanto está escrito: Sereis santos, porque eu sou santo.
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). Citando Isaías 40:8 Isaías 40:8Seca-se a erva, e murcha a flor; mas a palavra de nosso Deus subsiste eternamente.
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, ele lembra-nos que "a palavra do Senhor permanece para sempre" (versículo 25).

Ele compara a Igreja a um novo templo que está sendo construído para Deus (1 Pedro 2:5 1 Pedro 2:5vós também, quais pedras vivas, sois edificados como casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, aceitáveis a Deus por Jesus Cristo.
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) e descreve os membros da Igreja como um novo sacerdócio dedicado a servir a Deus (versículos 5, 9). Ele se refere a Sara, Abraão e Noé (1 Pedro 3:6 1 Pedro 3:6como Sara obedecia a Abraão, chamando-lhe senhor; da qual vós sois filhas, se fazeis o bem e não temeis nenhum espanto.
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, 20) para ilustrar vários pontos em sua carta. Em sua primeira epístola, ele cita o Antigo Testamento mais de uma dúzia de vezes como a autoridade para suas palavras.

Em sua segunda epístola, escrita pouco antes de sua morte (2 Pedro 1:14-15 2 Pedro 1:14-15 [14] sabendo que brevemente hei de deixar este meu tabernáculo, assim como nosso Senhor Jesus Cristo já mo revelou. [15] Mas procurarei diligentemente que também em toda ocasião depois da minha morte tenhais lembrança destas coisas.
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; comparar João 21:18-19 João 21:18-19 [18] Em verdade, em verdade te digo que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo, e andavas por onde querias; mas, quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá, e te levará para onde tu não queres. [19] Ora, isto ele disse, significando com que morte havia Pedro de glorificar a Deus. E, havendo dito isto, ordenou-lhe: Segue-me.
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), Pedro nos lembra que os profetas do Antigo Testamento falaram (e escreveram) sob a inspiração do Espírito Santo de Deus (2 Pedro 1:20-21 2 Pedro 1:20-21 [20] sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. [21] Porque a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo.
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).

Ele fala do terrível juízo que Deus trará sobre a humanidade por causa do pecado, usando como exemplo o mundo cheio de pecado dos dias de Noé e as cidades degeneradas de Sodoma e Gomorra, que Deus destruiu como "exemplo aos que vivessem impiamente" (2 Pedro 2:5-6 2 Pedro 2:5-6 [5] se não poupou ao mundo antigo, embora preservasse a Noé, pregador da justiça, com mais sete pessoas, ao trazer o dilúvio sobre o mundo dos ímpios; [6] se, reduzindo a cinza as cidades de Sodoma e Gomorra, condenou-as � destruição, havendo-as posto para exemplo aos que vivessem impiamente;
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).

Ele também usa o profeta Balaão como um exemplo de desobediência aos mandamentos de Deus, que traz Sua condenação (2 Pedro 2:15 2 Pedro 2:15os quais, deixando o caminho direito, desviaram-se, tendo seguido o caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça,
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). E ele nos lembra da necessidade de estar atentos às “palavras que primeiramente foram ditas pelos santos profetas" no Antigo Testamento, bem como as palavras dos apóstolos (2 Pedro 3:1-2 2 Pedro 3:1-2 [1] Amados, já é esta a segunda carta que vos escrevo; em ambas as quais desperto com admoestações o vosso ânimo sincero; [2] para que vos lembreis das palavras que dantes foram ditas pelos santos profetas, e do mandamento do Senhor e Salvador, dado mediante os vossos apóstolos;
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).

João ensina a obediência aos mandamentos de Deus

João, "aquele discípulo a quem Jesus amava" (João 21:7 João 21:7Então aquele discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: Senhor. Quando, pois, Simão Pedro ouviu que era o Senhor, cingiu-se com a túnica, porque estava despido, e lançou-se ao mar;
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, 20, 24), fala repetidamente em suas epístolas sobre a necessidade de guardar os mandamentos de Deus, as quais aparentemente foram escritas entre 85-95 d.C., quando ele se tornou o último dos doze apóstolos originais ainda vivo. Suas contundentes declarações falam por si mesmas:

"E nisto sabemos que o conhecemos: se guardarmos os seus mandamentos. Aquele que diz: Eu conheço-o e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade" (1 João 2:3-4 1 João 2:3-4 [3] E nisto sabemos que o conhecemos; se guardamos os seus mandamentos. [4] Aquele que diz: Eu o conheço, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade;
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).

"Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei" (1 João 3:4 1 João 3:4Todo aquele que vive habitualmente no pecado também vive na rebeldia, pois o pecado é rebeldia.
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, ARA).

"E qualquer coisa que lhe pedirmos, dele a receberemos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que é agradável à sua vista" (1 João 3:22 1 João 3:22e qualquer coisa que lhe pedirmos, dele a receberemos, porque guardamos os seus mandamentos, e fazemos o que é agradável � sua vista.
Almeida Atualizada×
).

"Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus: quando amamos a Deus e praticamos os seus mandamentos. Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; ora, os seus mandamentos não são penosos" (1 João 5:2-3 1 João 5:2-3 [2] Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, se amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos. [3] Porque este é o amor de Deus, que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são penosos;
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, ARA).

"E o amor é este: que andemos segundo os seus mandamentos" (2 João 6).

Judas e o Antigo Testamento

Judas, assim como Tiago, também era meio-irmão de Jesus Cristo (Mateus 13:55 Mateus 13:55Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão, e Judas?
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) e O conhecia desde a infância. Apesar de sua curta epístola conter apenas 25 versículos, ele consegue incluir muitas referências ao Antigo Testamento, inclusive o tempo que Israel vagou pelo deserto, Sodoma e Gomorra, Moisés, Caim, Balaão, Coré e Enoque.

O registro desses homens que aprenderam pessoalmente de Jesus Cristo é claro. Eles defendem o Antigo Testamento como a revelação inspirada de Deus para a humanidade em qualquer época e afirmam que guardar os mandamentos de Deus continua sendo um requisito para os cristãos de hoje.

Como os ensinamentos de Paulo foram corrompidos

Paulo escreveu ao evangelista Timóteo: "Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra" (2 Timóteo 3:16-17 2 Timóteo 3:16-17 [16] Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; [17] para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra.
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).

Desde que Paulo tinha acabado de definir a "Escritura", no versículo anterior, como a que Timóteo conhecia "desde a infância", isso somente poderia se referir ao Antigo Testamento — já que o Novo Testamento ainda não havia sido escrito e compilado. Assim, a visão de Paulo da necessidade das escrituras do Antigo Testamento para o entendimento e a vida do cristão é simples.

No entanto, a maioria dos teólogos e pregadores de hoje pensa que Paulo considerava obsoletas as Escrituras do Antigo Testamento. Eles o veem como a primeira pessoa que ensinou que as Escrituras não são mais necessárias, como um guia de autoridade para os cristãos.

Para chegar a essa conclusão, eles distorcem algumas das passagens de Paulo difíceis de entender para apoiar sua afirmação de que Jesus Cristo — ao morrer na cruz — aboliu a lei do Antigo Testamento.

Ao fazer esse juízo, eles ignoram a advertência de Pedro de que "Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada...pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição" (2 Pedro 3:15-16 2 Pedro 3:15-16 [15] e tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor; como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada; [16] como faz também em todas as suas epístolas, nelas falando acerca destas coisas, mas quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, como o fazem também com as outras Escrituras, para sua própria perdição.
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).

Quando examinamos cuidadosamente os escritos de Paulo, percebemos que é absurdo supor que ele usou seus próprios escritos, sua principal autoridade, para supostamente negá-los. Ele sempre apela para as escrituras do Antigo Testamento como a principal autoridade para tudo o que ele ensinou!

Paulo defende sua fidelidade à Escritura

As primeiras acusações de que Paulo estava desrespeitando a lei de Deus vieram de alguns judeus que contestaram impetuosamente a sua pregação acerca de que os gentios poderiam ser salvos sem se submeterem ao ritual da circuncisão. E o acusaram falsamente de abandonar a lei de Deus e à sua herança judaica. Paulo negou enfaticamente a acusação e estabeleceu com clareza autoridade bíblica para os seus ensinamentos e conduta.

Para ajudar Paulo a demonstrar que eram falsas todas as alegações de que ele havia rejeitado a lei de Deus, alguns cristãos em Jerusalém pediram que quatro judeus cristãos o acompanhasse pessoalmente na realização de rituais de purificação no templo, conforme estabelecido na lei bíblica (Atos 21:17-26 Atos 21:17-26 [17] E chegando nós a Jerusalém, os irmãos nos receberam alegremente. [18] No dia seguinte Paulo foi em nossa companhia ter com Tiago, e compareceram todos os anciãos. [19] E, havendo-os saudado, contou-lhes uma por uma as coisas que por seu ministério Deus fizera entre os gentios. [20] Ouvindo eles isto, glorificaram a Deus, e disseram-lhe: Bem vês, irmãos, quantos milhares há entre os judeus que têm crido, e todos são zelosos da lei; gregos, ouviram a palavra do [21] e têm sido informados a teu respeito que ensinas todos os judeus que estão entre os gentios a se apartarem de Moisés, dizendo que não circuncidem seus filhos, nem andem segundo os costumes da lei. [22] Que se há de fazer, pois? Certamente saberão que és chegado. [23] Faze, pois, o que te vamos dizer: Temos quatro homens que fizeram voto; [24] toma estes contigo, e santifica-te com eles, e faze por eles as despesas para que rapem a cabeça; e saberão todos que é falso aquilo de que têm sido informados a teu respeito, mas que também tu mesmo andas corretamente, guardando a lei. [25] Todavia, quanto aos gentios que têm crido já escrevemos, dando o parecer que se abstenham do que é sacrificado a os ídolos, do sangue, do sufocado e da prostituição. [26] Então Paulo, no dia seguinte, tomando consigo aqueles homens, purificou-se com eles e entrou no templo, notificando o cumprimento dos dias da purificação, quando seria feita a favor de cada um deles a respectiva oferta.
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). Paulo aproveitou a oportunidade, ansioso para silenciar seus críticos e confirmar publicamente sua fidelidade às Escrituras.

No entanto, "quando os sete dias estavam quase a terminar, os judeus da Ásia, vendo-o no templo, alvoroçaram todo o povo e lançaram mão dele, clamando: Varões israelitas, acudi! Este é o homem que por todas as partes ensina a todos, contra o povo, e contra a lei, e contra este lugar; e, demais disto, introduziu também no templo os gregos e profanou este santo lugar" (versículos 27-28).

Eles estavam mentindo. No entanto, surgiu uma revolta e o comandante romano teve de salvar Paulo da multidão judaica hostil que estava tentando matá-lo.

Paulo pediu permissão para falar em sua própria defesa à multidão reunida. A permissão foi concedida (versículo 40) e ele falou. Depois disso, ele foi levado perante o Sinédrio, a Corte Suprema dos judeus, e de lá foi transferido para a cidade de Cesaréia na costa do Mediterrâneo para comparecer perante o governador romano Félix. O comandante da guarnição romana de Jerusalém, em uma carta a Felix, reportou a seguinte explicação:

"Este homem foi preso pelos judeus; e, estando já a ponto de ser morto por eles, sobrevim eu com a soldadesca e o livrei, informado de que era romano [isto é, Paulo possuía a cidadania romana]. Querendo saber a causa por que o acusavam, o levei ao seu conselho [Sinédrio]. E achei que o acusavam de algumas questões da sua lei, mas que nenhum crime havia nele digno de morte ou de prisão" (Atos 23:27-29 Atos 23:27-29 [27] Este homem foi preso pelos judeus, e estava a ponto de ser morto por eles quando eu sobrevim com a tropa e o livrei ao saber que era romano. [28] Querendo saber a causa por que o acusavam, levei-o ao sinédrio deles; [29] e achei que era acusado de questões da lei deles, mas que nenhum crime havia nele digno de morte ou prisão.
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).

Observe refutação de Paulo sobre as falsas acusações feitas contra ele: "Paulo, porém, fazendo-lhe o governador sinal que falasse, respondeu: Porque sei que já vai para muitos anos que desta nação és juiz, com tanto melhor ânimo respondo por mim. Pois bem podes saber que não há mais de doze dias que subi a Jerusalém a adorar; e não me acharam no templo falando com alguém, nem amotinando o povo nas sinagogas, nem na cidade.

"Nem tampouco podem provar as coisas de que agora me acusam. Mas confesso-te que...assim sirvo ao Deus de nossos pais, crendo tudo quanto está escrito na Lei e nos Profetas. Tendo esperança em Deus, como estes mesmos também esperam, de que há de haver ressurreição de mortos, tanto dos justos como dos injustos. E, por isso, procuro sempre ter uma consciência sem ofensa, tanto para com Deus como para com os homens" (Atos 24:10-16 Atos 24:10-16 [10] Paulo, tendo-lhe o governador feito sinal que falasse, respondeu: Porquanto sei que há muitos anos és juiz sobre esta nação, com bom ânimo faço a minha defesa, [11] pois bem podes verificar que não há mais de doze dias subi a Jerusalém para adorar, [12] e que não me acharam no templo discutindo com alguém nem amotinando o povo, quer nas sinagogas quer na cidade. [13] Nem te podem provar as coisas de que agora me acusam. [14] Mas confesso-te isto: que, seguindo o caminho a que eles chamam seita, assim sirvo ao Deus de nossos pais, crendo tudo quanto está escrito na lei e nos profetas, [15] tendo esperança em Deus, como estes mesmos também esperam, de que há de haver ressurreição tanto dos justos como dos injustos. [16] Por isso procuro sempre ter uma consciência sem ofensas diante de Deus e dos homens.
Almeida Atualizada×
).

Isso é inequivocamente claro! Anos depois, depois de ter se tornado cristão, Paulo poderia declarar que ele ainda acreditava em "tudo quanto está escrito na Lei e nos Profetas" — um termo judaico para todo o Antigo Testamento. Este testemunho, da boca do próprio Paulo, acaba com todas as dúvidas sobre o que ele pensava a respeito da lei de Deus.

Segunda defesa de Paulo no tribunal sobre seus ensinamentos

Dois anos depois, Paulo foi convocado novamente para aparecer no tribunal diante de um novo governador romano, Pórcio Festo (versículo 27). "Quando Paulo apareceu, os judeus que tinham chegado de Jerusalém se aglomeraram ao seu redor, fazendo contra ele muitas e graves acusações que não podiam provar. Então Paulo fez sua defesa: ‘Nada fiz de errado contra a lei dos judeus, contra o templo ou contra César’" (Atos 25:7-8 Atos 25:7-8 [7] Tendo ele comparecido, rodearam-no os judeus que haviam descido de Jerusalém, trazendo contra ele muitas e graves acusações, que não podiam provar. [8] Paulo, porém, respondeu em sua defesa: Nem contra a lei dos judeus, nem contra o templo, nem contra César, tenho pecado em coisa alguma.
Almeida Atualizada×
, NVI).

Essas audiências oficiais na corte são significativas. Assim ficou estabelecido, pelas próprias palavras de Paulo, que ele continuava firmemente comprometido tanto na crença e como na prática de todas as leis de Deus — as mesmas leis que os judeus diziam obedecer. E nenhum de seus acusadores poderia produzir qualquer prova em contrário. Todas as alegações feitas contra ele eram falsas — assim como todas as alegações atuais de que ele ensinou contra leis do Antigo Testamento são igualmente falsas!

No entanto, esses mesmos rumores imprecisos e caluniosos, que começaram com os falsos acusadores de Paulo há muito tempo, ainda estão circulando hoje. Eles se tornaram a base do que hoje é comumente conhecido como "teologia paulina".

Esta filosofia teológica ainda apresenta Paulo como alguém comprometido com a separação do cristianismo de suas raízes judaicas. Ela retrata-o como alguém que rejeitou sua herança bíblica e iniciou mudanças no ensinamento que repudiou todas as leis do Antigo Testamento.

Mas, como foi explicado acima, tudo isso está muito longe do que Paulo realmente acreditava e ensinava. Ao longo de sua vida, Paulo defendeu as escrituras do Antigo Testamento, não apenas por ser inspirada, mas também proveitosa para "instruir em justiça" todos os cristãos (novamente, ver 2 Timóteo 3:15-17 2 Timóteo 3:15-17 [15] e que desde a infância sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela que há em Cristo Jesus. [16] Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; [17] para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra.
Almeida Atualizada×
).

Esta Escritura contém a lei de Deus, que distingue a justiça do pecado. Portanto, não é de se admirar Paulo ter exclamado: "De fato, eu não saberia o que é pecado, a não ser por meio da Lei" (Romanos 7:7 Romanos 7:7Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Contudo, eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás.
Almeida Atualizada×
, NVI).