Comentário Bíblico: Levítico 20
Proibição de sacrifício infantil, revisão das leis moral e alimentares.
“Retirai-Vos do Meio Deles, Separai-Vos”.
O imutável propósito de Deus era levar Israel à Terra Prometida. Mas a terra estava cheia de povos que praticavam uma perversidade abominável. Como Israel era um povo carnal, sem o Espírito Santo, e porque havia sido criado em uma cultura pagã opressiva, eles seriam tentados a sincretizar e “tomar emprestados” elementos pagãos em sua adoração a Deus. Pois, obviamente, isso era completamente inaceitável para Deus.
Uma das práticas dos povos cananeus era o sacrifício infantil. Geralmente, eles queimavam vivas as crianças primogênitas para o falso deus Moloque, crendo que a inocência e a pureza delas apaziguariam essa divindade e tornariam mais aceitáveis as orações que elas supostamente levariam diante dele (por isso a menção a médiuns e espíritos familiares, que eram outras vias de comunicação com uma divindade). Ainda que isso nos pareça impossível de entender, Israel não estranharia essa prática, pois era apenas mais um dos costumes religiosos da época. Mas Deus achava isso completamente repugnante. Por isso Ele condena claramente o sacrifício de crianças nos sete primeiros versículos desse capítulo. A punição para esse ato era a morte, e quem deveria aplicá-la era o povo, não o Estado. Esse crime era tão hediondo que Deus desejava que toda a comunidade participasse de sua eliminação. E observe que Deus mostra claramente que a verdadeira santidade e consagração não têm nenhuma ligação com aquelas práticas repugnantes, mas com a obediência consciente às Suas leis.
Esse capítulo também repete as leis sobre moralidade sexual, embora em formato reduzido. As normas relacionadas às relações sexuais são reiteradas, mas o foco é a punição e a gravidade dessa transgressão. Mais uma vez, observe a relação entre o pecado e a contaminação da terra.
Observe também que as leis alimentares que distinguem carnes limpas de impuras são mencionadas e associadas de modo direto ao conceito de santidade, que significa separação em relação aos povos vizinhos. Essas leis alimentares foram dadas principalmente para fins de santidade, e não de saúde física. Embora tragam vários benefícios à saúde, e Deus certamente sabia disso, a razão principal apresentada é a santidade. Ao estabelecer essas leis, Deus acrescentou um aspecto à vida diária que lembrava continuamente os israelitas de que eles deveriam permanecer separados dos povos do mundo, e isso inclusive dificultava a convivência social com quem não era israelita. Será que Deus deseja que os cristãos também mantenham uma separação espiritual clara em relação ao mundo? Sim. E o apóstolo Paulo deixa isso evidente ao escrever: "Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos santuário do Deus vivente, como Ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o Seu Deus, e eles serão o Meu povo. Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e Eu vos receberei, serei Vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso" (2 Coríntios 6:16-18, Almeida Revista e Atualizada).
Comentário Bíblico: Levítico