Comentário Bíblico: Levítico 21-22
Normas para os sacerdotes, qualificação para o serviço sacerdotal e os sacrifícios
Leis Sobre o Sacerdócio e Preparação Para O Serviço
Deus é santo, e por isso Seus sacerdotes, que O servem e representam Seu povo, também precisam ser santos. Esse capítulo apresenta diversas normas destinadas exclusivamente ao sacerdócio.
Deus é eterno e completamente separado do pecado. A morte humana é consequência do pecado. Por isso, os sacerdotes de Deus tinham que se manter afastados da impureza causada pela morte. Eles não podiam se contaminar com a morte de ninguém que não fosse um parente bem próximo. O luto adequado era permitido, então eles podiam lamentar por pai, mãe, irmão, irmã, filho ou filha. Fora essas exceções, o sacerdote deveria manter-se distante da impureza advinda dos mortos. Quanto ao sumo sacerdote, nem mesmo por seus próprios pais ele podia se contaminar, e também eram proibidas quaisquer manifestações externas de luto.
De novo, tonsuras, certos cortes de barba e piercings no corpo eram proibidos aos sacerdotes. Essas práticas vinham do paganismo, e Deus desejava que Seu sacerdócio fosse claramente distinto do paganismo.
Os casamentos dos sacerdotes também tinham regras que não valiam para o israelita comum. O sumo sacerdote podia se casar somente com uma virgem israelita. Ademais, os sacerdotes do Senhor deviam ser fisicamente isentos de qualquer defeito para desempenhar determinados ritos. Um sacerdote com algum defeito físico não podia entrar no Lugar Santo nem servir no altar. Mas ele podia fazer outras tarefas do sacerdócio e comer das ofertas. Os paralelos espirituais com Jesus Cristo, nosso Sumo Sacerdote, são óbvios.
Os sacerdotes tinham que viver de forma santa, e até suas circunstâncias de momento deviam ser santas. Para servir no altar, o sacerdote não podia estar ritualmente impuro. Caso estivesse impuro por enfermidade, secreção corporal, contato com cadáver, emissão de sêmen (possivelmente simbolizando a liberação estéril da vida), animal impuro, pessoa impura ou qualquer outra fonte de contaminação, ele não podia servir até ser purificado. A impureza ritual simbolizava o pecado. E Deus, que é santo, não pode ser maculado pelo pecado, por isso, tudo que leva alguém a se aproximar dEle precisa estar limpo de qualquer impureza.
Além disso, se o sacerdote estivesse impuro, ele não podia comer das ofertas sagradas. Eles recebiam porções de algumas ofertas, que podiam ser comidas por eles e por suas famílias. Contudo, qualquer pessoa que comesse dessas porções precisava estar ritualmente pura. Assim, percebemos que todos os que servem a Deus e se beneficiam desse serviço precisam estar limpos. Como cristãos, somos purificados pelo sangue de Cristo (1 João 1:7), e sem essa purificação não podemos chegar ao Pai. E é também por meio de Cristo que temos acesso às coisas santas (Hebreus 13:10; comparar 1 Coríntios 10:16-18; 1 Pedro 2:5). E, visto que a Igreja é o Israel de Deus (Gálatas 6:16), chamada para proclamar as virtudes de Deus ao mundo (1 Pedro 2:9), ela também deve ser limpa, imaculada e santa.
A parte final dessa seção discute a adequação dos animais sacrificados. Os animais oferecidos a Deus simbolizavam Cristo em vários aspectos. Cristo era perfeito e imaculado, tanto moral quanto espiritualmente, por isso, os animais que O representavam tinham de ser fisicamente perfeitos e sem defeito. Um sacrifício realizado com um animal deficiente era rejeitado e representava um insulto ao Deus perfeito. O homem carnal tende a oferecer a Deus o que é inferior e guardar o melhor para si, uma atitude inaceitável para Deus. Além disso, o sacrifício tinha de ser feito com os próprios bens do ofertante, e não de estrangeiros. Todo sacrifício precisava ter um “custo” para quem o oferecia. Enfim, o capítulo termina destacando novamente a santidade.
Comentário Bíblico: Levítico