Comentário Bíblico: Levítico 24
O serviço da menorá, o pão da proposição e a punição pela blasfêmia
A Manutenção da Menorá; Lei da Retaliação
As lâmpadas do menorá deviam ser acesas e mantidas acesas todos os dias (Levítico 24:2; Êxodo 27:20; Êxodo 30:7-8). Isso simbolizava o Espírito de Deus e Suas leis. Diariamente, devemos preservar a luz de Deus brilhando em nós mediante Seu Espírito e vivendo conforme Sua Palavra. Davi orou: “Lâmpada para os meus pés é Tua palavra e luz, para o meu caminho” (Salmos 119:105). E Salomão acrescenta: “Porque o mandamento é uma lâmpada, e a lei, uma luz, e as repreensões da correção são o caminho da vida” (Provérbios 6:23). As pessoas devem perceber Deus refletido em nossa vida. “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus” (Mateus 5:16). Assim como as lâmpadas do tabernáculo, isso exige cuidado constante e vigilância.
A expressão “‘desde a tarde até à manhã’ indica que as lâmpadas eram cuidadas duas vezes por dia, não durante toda a noite” (Bíblia de Estudo Thomas Nelson, nota sobre Levítico 24:2-4). Assim também precisamos buscar a Deus ao começar e ao terminar o dia para assegurar que o nosso “óleo” espiritual seja renovado (comparar Mateus 25:4; 2 Coríntios 4:16), para que possamos brilhar diariamente.
E nos versículos 19 e 20 de Levítico 24, encontramos o princípio de “olho por olho”, mencionado antes em Êxodo 21:23-25. Como já comentamos, isso não parecia ser usado de forma literal na maior parte dos casos. A ideia era garantir uma compensação justa. Os juízes de Israel podiam aplicar a pena de morte ou determinar um certo número de açoites. E isso era literal. Porém, não há qualquer registro de que tenham exigido cortar a mão de alguém ou realizado outras mutilações, embora isso não possa ser totalmente descartado.
Pode ser que eles permitissem a pessoa ofendida aplicar essa pena a quem tivesse cortado sua mão, assim como Deus permitiu que o parente mais próximo da vítima de assassinato atuasse como vingador do sangue. Como foi dito nos comentários sobre Êxodo 21, a ideia desse princípio não era apenas assegurar que a punição fosse equivalente ao crime, mas evitar que ela passasse do limite. A Bíblia de Estudo Thomas Nelson comenta sobre Levítico 24:19 a 20: “A intenção não era obrigar a parte lesada a infligir ao agressor dano físico equivalente, mas proibi-la de aplicar dano físico ainda maior”.
Embora o sistema de Deus permitisse que a justiça fosse aplicada segundo a mesma medida, o desejo dEle era que houvesse misericórdia quando a pessoa se arrependesse, além de restituição e cuidado pela vítima. Se alguém cortasse a mão de outra pessoa, seria mais sensato que a vítima não fizesse o mesmo com o agressor. Os juízes poderiam impor açoites pelo sofrimento causado e exigir que o agressor trabalhasse (talvez pelo resto da vida) para suprir o sustento daquele que perdeu a mão e já não podia trabalhar. (Se o agressor também tivesse a mão cortada, não teria condições de auxiliar a vítima, o que não contribuiria de fato para a solução, servindo apenas como punição e elemento de prevenção social).
E da mesma forma, cegar o agressor que cegou alguém apenas criaria dois necessitados em vez de apenas um. Seria mais sensato exigir que o criminoso que ainda enxerga fique em dívida e talvez até trabalhando para a vítima.
Comentário Bíblico: Levítico