Comentário Bíblico: Levítico 25
O Ano Sabático e o Ano do Jubileu
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“Apregoareis Liberdade na Terra”
Essas palavras do versículo 10 estão gravadas no Liberty Bell (Sino da Liberdade), um símbolo tradicional da liberdade dos Estados Unidos, que fica do lado de fora do Independence Hall (Salão da Independência), na Filadélfia. A Assembleia Provincial da Pensilvânia encomendou esse sino em 1751 com o intuito de proclamar o ano do Jubileu, mas ele foi usado somente em 8 de julho de 1776 para celebrar a primeira leitura pública da Declaração de Independência. (Ironicamente, esse sino foi fundido em Londres, Inglaterra). Seja como for, os Estados Unidos da era revolucionária o reconheciam como um símbolo de libertação da tirania. E o trecho bíblico citado se encaixa perfeitamente nesse contexto.
Na realidade, a proclamação de “liberdade” no quinquagésimo ano se referia especificamente ao fato de que todas as dívidas eram canceladas, todos os israelitas que haviam se vendido como escravos eram libertos e todas as terras retornavam aos seus proprietários originais. A expressão “proclamar liberdade” também ocorre em Isaías 61:1, onde é anunciada aos “cativos”, juntamente com “a abertura de prisão aos presos”. A quem isso se refere? Àqueles que estão nos “laços do diabo, tendo sido feitos cativos por ele para cumprirem a sua vontade” (2 Timóteo 2:26, Almeida Revista e Atualizada), ou seja, o mundo em geral.
Isso também é entendido como a proclamação do “ano aceitável do SENHOR” (Isaías 61:2), outro nome para o Jubileu. Quando iniciou Seu ministério terreno, Cristo explicou que estava cumprindo exatamente essas passagens de Isaías (Lucas 4:16-21). A relação disso com a dívida e a servidão é evidente. A punição decorrente do pecado é apresentada nas Escrituras como uma dívida. Além disso, em Romanos 6, Paulo explica que viver no pecado é, essencialmente, uma forma de escravidão. A humanidade foi separada de sua herança prometida por causa dessa dívida do pecado.
Nesse cenário, a terra é muito importante. Observe o que diz A Bíblia de Estudo de Thomas Nelson sobre “redimir a terra”: “A necessidade de vender as terras da família colocava o antigo israelita em uma situação desesperadora. O sustento e a renda dependiam totalmente dos recursos da terra. Os membros da família que perdiam suas propriedades logo se viam obrigados a servir a estranhos. A maioria das pessoas se esforçaria ao máximo para evitar essa situação. Contudo, enfermidades, perdas de safra ou outros infortúnios poderiam forçar alguém a se endividar a tal ponto que sua única alternativa seria vender suas terras. Contudo, mesmo nessa situação angustiante, ainda havia esperança. Uma família que tivesse perdido suas terras poderia ser salva da pobreza e do sofrimento”.
“Primeiro, um parente com direito de resgate podia remir (ou recomprar) a terra (Levítico 25:25). E com o valor arrecadado, a pessoa podia quitar suas dívidas. A posse da terra era mantida pela linhagem familiar; os membros dessa família pobre permaneciam em sua terra e o resgatador acabava sendo reembolsado. O resgatador era o parente masculino mais próximo. Caso ele não tivesse condições de exercer esse direito e dever, a responsabilidade era transferida para o próximo na linha de sucessão familiar até que alguém pudesse assumi-la. Vemos esse mesmo cenário no capítulo 4 de Rute, onde Boaz exerceu o papel de resgatador da família e comprou a terra de Noemi”.
“Na ausência de um parente que resgatasse a terra, a própria pessoa poderia poupar até ter condições de readquiri-la. O valor era definido com base no número de anos que restavam até o próximo Jubileu, o quinquagésimo ano (Levítico 25:26, 27). A pessoa talvez precisasse esperar até o ano do Jubileu para recuperar a posse de suas terras ancestrais (Levítico 25:28). Até mesmo nessa situação desesperadora, permanecia a esperança e a promessa de que, no ano do Jubileu, a família retornaria à sua terra livre de dívidas e teria a oportunidade de recomeçar”.
“A lei do resgate e a lei do ano do Jubileu são símbolos vívidos do que Jesus Cristo realizou na cruz por cada pessoa (1 Coríntios 6:20; Efésios 1:7; 1 Pedro 1:18-19). Aquilo que nossos primeiros pais perderam no Jardim (o direito de viver no paraíso e ter acesso à Árvore da Vida), é algo que não somos capazes de reaver por nenhum meio [por nossos próprios esforços]. Não temos como retornar ao Éden [por iniciativa própria]. Contudo, Jesus Cristo, nosso Irmão mais velho, realizou esse resgate por nós. Fomos expulsos de nossa herança, mas no Ano do Jubileu, teremos permissão para voltar (cf. Isaías 51:3; Ezequiel 36:33-35; Apocalipse 2:7; Apocalipse 22:1-2, 14). Viveremos com Jesus no paraíso”. Além disso, herdaremos finalmente todo o universo com Ele (Romanos 8:16-19; Hebreus 2:8-9; Apocalipse 21:7), conforme era o desígnio de Deus para o gênero humano desde o princípio (comparar Deuteronômio 4:19). Essa é uma redenção gloriosa que alcança tanto a nós quanto a nossa herança.
Comentário Bíblico: Levítico