Entendendo a Profecia
Você já se perguntou o que o futuro realmente nos reserva? Deus revela isso por meio das profecias em Sua Palavra, a Bíblia Sagrada.
Na série de livros e filmes Jogos Vorazes, trilogia de romances da escritora estadunidense Suzanne Collins, a história se passa em um futuro indeterminado, na nação distópica e pós-apocalíptica de Panem, localizada na América do Norte. Embora cativante, essa série é inteiramente fictícia, uma história criada exclusivamente para entretenimento.
Você já se perguntou o que o futuro realmente nos reserva? Deus revela isso por meio das profecias em Sua Palavra, a Bíblia Sagrada. Embora muitos livros e filmes especulem sobre como será o futuro, a Palavra de Deus é a única fonte confiável que revela a verdade sobre o que nos espera nesta era e no mundo vindouro.
Há muito a considerar a respeito do tema das profecias bíblicas. Talvez o ponto de partida ideal seja definir por onde começar. O desejo de compreender o que acontecerá no futuro é comum a todos, e a profecia bíblica é a “história escrita com antecedência”. Ao longo dos anos, você provavelmente já ouviu sermões ou participou de estudos bíblicos que abordavam símbolos, bestas, pragas, eras da Igreja, um lugar de proteção e muitos outros temas instigantes e desafiadores. Como compreender tudo isso?
Estabelecer os fundamentos
Compreendida corretamente, a profecia bíblica é um guia seguro e confiável para o futuro. Tudo começa com a convicção de que “toda a Escritura é inspirada por Deus” (2 Timóteo 3:16, ARA) e que “nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1:21, ARA).
A profecia é uma mensagem direta de Deus para aqueles que O servem. “Certamente, o SENHOR Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o Seu segredo aos Seus servos, os profetas” (Amós 3:7, ARA). A profecia bíblica revela o que acontecerá no futuro àqueles que buscam a vontade de Deus e procuram compreender a Sua Palavra. Isso inclui você!
Além disso, mais de um terço da Palavra de Deus é composto de profecias, e muitas delas revelam tempos de grande instabilidade e dificuldades em um futuro próximo. Os acontecimentos atuais tornam evidente que o mundo caminha para uma terrível catástrofe. Lamentavelmente, muitos ainda desconhecem o que está por vir.
Três temas centrais
A Palavra de Deus apresenta três temas principais relacionados à profecia:
1. O que acontecerá com as nações da Terra?
2. O relacionamento de Deus com Israel no passado e no futuro.
3. A formação da família de Deus.
A compreensão desses conceitos permite que praticamente todas as passagens escatológicas das Escrituras se ajustem a esse contexto. Neste artigo, explicaremos cada um desses temas para ajudá-lo a desenvolver uma compreensão básica do que Deus deseja que você saiba sobre os acontecimentos e os tempos vindouros.
Primeiro tema: O que acontecerá com as nações da Terra?
O segundo capítulo de Daniel estabelece os fundamentos para compreender como Deus conduz a história das nações. Deus escolheu revelar ao rei da Babilônia, Nabucodonosor, o panorama da história futura através da profecia. Ele fez isso por meio de um sonho extraordinário.
Nesse sonho, ele viu uma grande estátua com cabeça de ouro, peito e braços de prata, ventre e coxas de bronze, pernas de ferro e pés formados por uma mistura de ferro e barro. Sem dúvida, era uma estátua incomum! Talvez o aspecto mais notável dessa visão seja que a estátua é destruída por uma pedra sobrenatural, cortada sem o auxílio de mãos humanas.
O rei não conseguiu compreender o significado de seu sonho, mas Deus revelou a Daniel tanto a visão quanto a sua interpretação. Daniel era um dos jovens sábios da corte e profeta de Deus. Esse evento ocorreu por volta do ano 603 a.C., quando Daniel tinha cerca de 17 anos.
Daniel explicou ao rei Nabucodonosor o propósito da visão: “Mas há um Deus no céu, o qual revela os mistérios; Ele, pois, fez saber ao rei Nabucodonosor o que há de acontecer nos últimos dias” (Daniel 2:28, ACF). Em seguida, acrescentou: “Quando estavas deitado, ó rei, tua mente se voltou para as coisas futuras, e Aquele que revela os mistérios te mostrou o que vai acontecer” (Daniel 2:29, NVI). Portanto, a visão da estátua tinha como objetivo revelar o futuro, desde a época daquele monarca até os últimos dias!
As cinco partes dessa estátua representam cinco impérios mundiais que desempenhariam um papel fundamental na história. Quatro deles já surgiram e desapareceram, e o quinto surgirá em breve!
1. A cabeça de ouro
Nos versículos 36 a 45, Daniel explica a visão ao rei. Ele disse a Nabucodonosor: “Tu, ó rei, és rei de reis. O Deus dos céus te tem dado domínio, poder, força e glória” (versículo 37). Historicamente, a Babilônia foi o primeiro império a dominar todo o mundo conhecido na época. Embora impérios poderosos tivessem surgido antes dela, a exemplo do Egito, dos hititas e da Assíria, nenhuma nação até então havia conquistado e governado uma porção tão vasta da terra. A cabeça de ouro simbolizava a Babilônia. Daniel declarou enfaticamente a Nabucodonosor: “Tu és a cabeça de ouro” (versículo 38).
Essa visão revelava não apenas que a cabeça de ouro representava o Império Babilônico, mas também que seu domínio era apenas temporário. A Babilônia seria sucedida por uma série de impérios que existiriam até o retorno de Jesus Cristo e o estabelecimento do governo de Deus sobre a Terra.
2. O peito e os braços de prata
O peito e os braços de prata representavam o Império Medo-Persa. Em 539 a.C., Ciro, rei da Pérsia, conquistou a Babilônia exatamente como havia previsto o profeta Isaías duzentos anos antes (Isaías 45:1-2). O Império Medo-Persa foi a segunda potência imperial a governar o mundo conhecido da época e durou mais de duzentos anos. Daniel permaneceu a serviço do rei persa, período em que escreveu grande parte de seu livro. Os acontecimentos registrados no livro de Ester também ocorreram durante o domínio do Império Persa.
3. O ventre e as coxas de bronze
Em 334 a.C., um exército sob o comando do rei grego Alexandre, o Grande, invadiu a Pérsia e derrotou os persas em 331 a.C. O Império Grego era ainda mais vasto que o Persa, estendendo-se do Egito e do sul da Europa até a Índia. A cultura, a arte e a religião gregas difundiram-se por todo o Oriente Médio.
4. As pernas de ferro
O quarto reino, estabelecido na cidade de Roma, às margens do rio Tibre, na Itália, expandiu-se rapidamente, tornou-se poderoso e conquistou a maior parte dos territórios dos três impérios anteriores. Em 31 a.C., Roma dominava todo o Mediterrâneo, a Península Ibérica, grande parte da Europa, além do sul da Grã-Bretanha e de toda a costa do Norte da África. O império dispunha de um exército poderoso, cuja ferocidade não tinha precedentes.
O Império Romano tornou-se tão vasto que, em 284 d.C., o imperador Diocleciano o dividiu em duas partes: o Império Romano do Oriente e o Império Romano do Ocidente. As “duas pernas de ferro” da visão de Nabucodonosor representam esse período do Império Romano.
5. Os pés e os dedos dos pés de ferro e de barro
Esse é o quinto reino, que ainda não se manifestou plenamente e será um “renascimento” do quarto império, Roma. Segundo a profecia, o quarto reino, Roma, seria forte como o ferro, o metal mais resistente conhecido na época, e esmagaria todos os outros (versículo 40). Entretanto, esse reino seria dividido e perderia sua força ao longo do tempo, como simbolizam os pés e os dedos dos pés. Ainda assim, o império manteria sua força militar, embora deixasse de ser uma nação unificada (versículos 41-42).
6. A pedra “cortada sem auxílio de mãos”
A última parte da visão do rei Nabucodonosor mostrava uma pedra sobrenatural que descia do céu e atingia os pés da estátua (Daniel 2:34), reduzindo-os a pedaços, até se tornarem como palha e serem levados pelo vento. Em seguida, a pedra tornava-se uma grande montanha que enchia toda a Terra.
A pedra que desceu do céu e atingiu os dedos dos pés simboliza o retorno de Jesus Cristo à Terra como o verdadeiro Rei dos reis. A Bíblia utiliza diversas vezes os termos “rocha” e “pedra” para representar Jesus Cristo. Em 1 Pedro 2:4, lemos: “E, chegando-vos para Ele, a pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa”. Em 1 Coríntios 10:4, está escrito: “E beberam da mesma bebida espiritual; pois bebiam da rocha espiritual que os acompanhava, e essa rocha era Cristo” (NVI).
Outros relatos sobre o retorno de Jesus Cristo à Terra podem ser encontrados em 2 Tessalonicenses 1:7-10, Zacarias 14:1-4 e em muitas outras passagens da Palavra de Deus.
Em resumo, nos dias dos dez reis simbolizados pelos dez dedos dos pés da estátua, o Deus do Céu estabelecerá na Terra um reino que jamais será destruído. Esse reino despedaçará todas as demais nações, dominará toda a Terra e permanecerá para sempre!
Um resumo bem estruturado, mas faltam os detalhes
A visão concedida ao rei Nabucodonosor apresenta um impressionante panorama da história dos governos humanos até o retorno de Jesus, o Messias, mas não revela todos os detalhes. Felizmente, Deus aprofunda essa revelação a partir de Daniel 7.
Neste ponto, em vez de interpretar a visão de um rei, Daniel registra uma de várias visões concedidas a ele por Deus sobre eventos que ocorrerão com nações futuras. Essa visão oferece uma perspectiva diferente ao representar como animais os quatro impérios que dominaram o mundo, descritos anteriormente. Em vez das partes de uma estátua, esses quatro impérios passam a ser retratados como animais predadores e carnívoros!
Em Daniel 7:4, a Babilônia, representada pela cabeça de ouro, é descrita como um leão com asas de águia. O rei da Babilônia é comparado a um leão em diversas passagens das Escrituras (Jeremias 50:17; 4:7). O Portal de Ishtar da Babilônia, escavado entre 1902 e 1914, é ornamentado com inúmeras figuras de leões. Ele foi restaurado e atualmente está em exposição no Museu de Pérgamo, em Berlim, na Alemanha. As asas do leão simbolizam a rapidez das conquistas de Nabucodonosor.
O império seguinte revelado em Daniel 7:5 é o Medo-Persa, descrito como “semelhante a um urso”. Esse é o mesmo império anteriormente representado pelo peito e pelos braços de prata. O urso é descrito com três costelas na boca, que simbolizam a Babilônia, a Lídia e o Egito, todos conquistados pelos persas.
Em Daniel 7:6, o leopardo simboliza o Império Grego, antes representado pelo ventre e pelas coxas de bronze. Sem dúvida, o leopardo representa a impressionante rapidez com que o exército de Alexandre avançava e conquistava nações. Em apenas doze anos, ele conquistou todo o mundo conhecido e expandiu ainda mais as fronteiras de seu império, mas morreu na Babilônia, em 323 a.C., aos 33 anos de idade. Conforme a visão havia previsto, seu reino foi dividido em quatro partes entre seus generais: “Esse animal tinha quatro cabeças, e recebeu autoridade para governar” (Daniel 7:6, NVI).
O quarto animal, descrito em Daniel 7:7-8, representa o Império Romano e não se assemelha a nenhuma criatura conhecida. A visão o descreve como “terrível e espantoso e muito forte, o qual tinha dentes grandes de ferro”. Ele também devora e despedaça outras nações, além de possuir dez chifres. No versículo 23, o anjo explica a Daniel que o quarto animal representa um reino que “será diferente de todos os reinos; e devorará toda a terra, e a pisará aos pés, e a fará em pedaços”. Em seguida, o anjo acrescenta: “Os dez chifres correspondem a dez reis que se levantarão daquele mesmo reino...” (versículo 24, ARA).
Esses dez chifres simbolizam a continuidade ou “renascimento” do governo exercido pelo sistema do quarto animal após o colapso do império original. Na visão da estátua, eles eram representados pelos pés e pelos dez dedos dos pés, formados por uma mistura de ferro e barro. Esses reis se sucederão no governo até o retorno de Jesus Cristo, que os substituirá e reinará sobre a Terra (representado, na visão da estátua, pela pedra cortada sem auxílio de mãos humanas).
A história desses reis é revelada no capítulo 13 de Apocalipse. O apóstolo João recebeu uma visão dos mesmos impérios revelados por Deus a Daniel, simbolizados por um animal extraordinário que ele chamou de “besta”. Em Apocalipse 13:3, lemos: “E vi uma de suas cabeças como ferida de morte, e a sua chaga mortal foi curada; e toda a terra se maravilhou após a besta”.
A queda de Roma, em 476 d.C., representou apenas uma ferida, não o seu fim. Embora bastante enfraquecido, o Império Romano sobreviveu. Ele continuou a existir na capital oriental, Bizâncio, mais tarde chamada Constantinopla e hoje conhecida como Istambul, na Turquia. A ferida mortal foi curada em 554 d.C., quando o imperador romano do Oriente, Justiniano, restaurou o império no Ocidente. Ainda assim, o Império Romano não retomou a posição de potência dominante que outrora ocupou.
A restauração completa do Império Romano começa a ser revelada em Apocalipse 17:3: “E levou-me em espírito a um deserto, e vi uma mulher assentada sobre uma besta de cor escarlate, que estava cheia de nomes de blasfêmia e tinha sete cabeças e dez chifres”. Essa besta escarlate representa o pleno ressurgimento do Império Romano, que estará estabelecido quando Jesus Cristo retornar!
O que tudo isso significa?
Muitas pessoas dizem que o fim do mundo está próximo. Na realidade, tudo está se cumprindo exatamente como Deus planejou e revelou aos Seus servos! Embora essas imagens de estátuas e animais possam parecer assustadoras, encontramos uma mensagem de esperança registrada em Daniel 2:44: “Mas, nos dias desses reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e esse reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos esses reinos e será estabelecido para sempre”.
O Reino de Deus ainda não foi estabelecido na Terra. Ainda não vivemos plenamente os dias “desses reis”, mas eles se aproximam, e precisamos estar preparados (Apocalipse 19:7). Durante mais alguns anos, a humanidade insistirá em governar de forma equivocada e em causar sofrimento ao seu semelhante, perpetuando as tristes lições da história humana. A compreensão das profecias bíblicas nos traz a esperança de um futuro promissor e maravilhoso!