"Eu Sei Que O Meu Redentor Vive"

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Muito mais do que um simples refrão musical, essas palavras do oratório O Messias de Handel proclamam o cuidado fiel de Deus e o resgate oferecido por Seu Filho, ajudando-nos a enfrentar o sofrimento e a morte com confiança e esperança no futuro prometido.

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Há uma história de que, enquanto o célebre regente Reichel conduzia um ensaio do inspirador oratório O Messias de Handel, uma soprano cantou o famoso refrão "Eu sei que o Meu Redentor vive" com absoluta precisão técnica. Todos aguardavam um elogio, mas o maestro fez sinal pedindo silêncio, aproximou-se e perguntou-lhe com ar pesaroso: “Minha filha, você realmente crê que o seu Redentor vive?”. Constrangida, ela respondeu: “Sim, eu creio”. “Então cante!”, exclamou ele. “Mas cante de forma que eu sinta que você já vivenciou a alegria e o poder disso”. Ela cantou novamente, mas desta vez com uma intensidade tamanha que evidenciava sua crença no Cristo vivo. A plateia chorou, e o maestro, com lágrimas nos olhos, afirmou: “Agora sei que você crê, porque desta vez você me fez sentir isso!”.

Como discípulos de Jesus Cristo, que lições desse relato podemos aplicar à nossa vida ao aceitarmos o chamado de seguir a Jesus? (Marcos 8:34) Será que também nos mostramos reticentes e tímidos, como essa cantora lírica, quanto à nossa fé pessoal em Jesus e em Sua ressurreição? Estamos cientes de que o mundo é um palco onde pisamos a cada amanhecer, enquanto a vida nos confronta com o inesperado e coloca à prova a autenticidade da nossa fé?

Além do mero conhecimento sobre Cristo

Será que compreendemos que o verdadeiro discipulado não se resume a dominar um vocabulário religioso, mas em elevar e firmar nosso coração Naquele que viveu, morreu, ressuscitou, ascendeu ao céu e está eternamente exaltado à direita de nosso Pai celestial? Além de saber sobre Cristo, precisamos conhecê-Lo de verdade e buscar o crescimento nEle. 

E isso não é apenas uma questão de discernimento intelectual. Trata-se de lançar raízes espirituais profundas, que nos sustentam não apenas hoje, mas por toda a eternidade, pela graça de Deus. Isso implica aceitar plenamente nossa finitude e a verdade de que “aos homens está ordenado morrerem uma vez” (Hebreus 9:27), compreendendo que a morte é apenas o prelúdio do destino eterno que Deus nos reservou.

Observe como Jesus eleva o nosso nível de consciência por meio do que disse aos primeiros discípulos na última noite de Sua vida humana: “Não deixem que seu coração fique aflito. Creiam em Deus; creiam também em Mim. Na casa de Meu Pai há muitas moradas. Se não fosse assim, Eu lhes teria dito. Vou preparar lugar para vocês e, quando tudo estiver pronto, virei buscá-los, para que estejam sempre Comigo, onde Eu estiver” (João 14:1-4, Nova Versão Transformadora).

O discípulo Tomé foi franco ao dizer: “Senhor, nós não sabemos para onde vais e como podemos saber o caminho?”. Então, Jesus lhe respondeu: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por Mim” (versículos 5-6). Ele disse ainda que conhecê-Lo de verdade era o mesmo que conhecer o Pai (versículo 7).

O exemplo de Tomé, que estava no palco principal dos eventos daquela noite de Páscoa com Jesus, revela que nem mesmo a proximidade é suficiente. Isso exige algo mais profundo! Jesus seria gentilmente direto com Tomé, tanto naquele momento quanto depois (João 20:24-29), assim como Ele é conosco hoje — encorajando-nos a permitir que o Redentor vivo intensifique Sua presença em nós.

O eco atemporal que ressoa até nós

Mas qual é a origem dessa famosa frase, “Eu sei que o meu Redentor vive”? Ela viria dos evangelhos ou talvez das cartas de Paulo? Não, ela vem do Antigo Testamento, mais precisamente do livro de Jó. Satanás estava provando severamente esse seguidor do único Deus verdadeiro antes mesmo de Israel se tornar uma nação. Ele enfrentou a perda de praticamente tudo, inclusive sua família, suas posses e sua própria saúde. Deus permitiu isso com um propósito que transcendia a mera resistência humana, visto que essa saga se estende por quarenta e dois capítulos.

Desde o começo, quando essa tragédia inimaginável o alcançou, as palavras de Jó revelaram que o que estava guardado em seu coração era maior do que as tempestades da vida: “Então, Jó se levantou, e rasgou o seu manto, e rapou a sua cabeça, e se lançou em terra, e adorou, e disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR. Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma” (Jó 1:20-22).

Conforme a situação se agravava e Jó se via coberto de feridas dolorosas, sua esposa chegou ao limite e o desafiou dizendo: "Você ainda mantém a sua integridade? Amaldiçoe a Deus, e morra!". Ele respondeu: "Você fala como uma insensata. Aceitaremos o bem dado por Deus, e não o mal? Em tudo isso Jó não pecou com os lábios” (Jó 2:9-10, NVI).

O que sustentou Jó no limite da exaustão humana desde o conhecimento inicial sobre Deus até o amadurecimento ainda mais profundo nEle, quarenta capítulos depois, quando ele declarou: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem”? (Jó 42:5, ARA). O nó que sustentava o laço atado e conservava sobre ele o manto de Deus aparece em Jó 19: “Quem me dera, agora, que as minhas palavras se escrevessem! Quem me dera que se gravassem num livro! [Ele não fazia ideia!] E que, com pena de ferro e com chumbo, para sempre fossem esculpidas na rocha! Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra” (versículos 23-25). E ele ainda expressou seu profundo anseio de ver a Deus (versículos 26-27), após ter dito antes que sabia que seria ressuscitado após a sua morte (Jó 14:10-15).

Como podemos entender melhor o papel de um redentor? Na antiga Israel, um redentor era alguém que comprava a liberdade de um escravo ou um atencioso parente próximo que intervinha para resgatar e assegurar os interesses da família em meio a dificuldades. Assim ocorreu no livro de Rute quando Boaz resgatou as terras da viúva Noemi e casou-se com sua nora, assegurando a continuidade da descendência do marido falecido de Noemi e de seu filho morto (em consonância com os preceitos de Deuteronômio 25:5-10). O redentor representava a esperança para quem estava desalentadoo diante da impossibilidade de construir um futuro por conta própria. Em Gênesis 48:16, o patriarca Jacó faz referência à redenção que recebeu de Deus.

Esse aspecto da obra de Deus foi detalhado mais tarde pelo apóstolo Paulo ao descrever o Redentor em Tito 2:13-14:: “Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo [nosso Irmão mais velho, Hebreus 2:11-12 o qual se deu a si mesmo por nós, para nos remir de toda iniquidade e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras”.

O toque do Redentor

Para terminar, vamos olhar para o que disse outro apóstolo. João viveu mais do que todos os seus companheiros, porém sua vida também chegaria ao fim. Contudo, pouco antes disso, Cristo manifestou-se a ele por meio de uma visão que foi registrada para nós: “E eu, quando o vi, caí a Seus pés como morto; e Ele pôs sobre mim a Sua destra, dizendo-me: Não temas; Eu sou o Primeiro e o Último e o que vive; fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém! E tenho as chaves da morte e do inferno [a sepultura]” (Apocalipse 1:17-18).

Nosso Pai Celestial e Cristo sabiam que João precisava ter a certeza de que o seu Redentor estava vivo. Ele precisava sentir a mão do Senhor Ressuscitado sobre si enquanto o impactante desdobramento do plano de Deus para redimir o mundo era revelado a ele.

Talvez tenha sido exatamente para um tempo como este (comparar Ester 4:14) que você está lendo este artigo. Como aquela solista do relato inicial, você pode estar precisando de uma pausa no palco da vida para recobrar as forças e a coragem. Portanto, “Cante!” Viva isso! E sinta o toque do nosso Redentor em seu coração. 

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