A Importância da Motivação
Todos nós somos movidos por motivações tanto positivas quanto negativas. A Bíblia revela que Deus recorre a ambos os tipos de motivação ao orientar o Seu povo.
O primeiro emprego de verdade que tive foi em uma empresa de distribuição de comunicados à imprensa. Eu trabalhava na redação recebendo, editando e distribuindo notícias de negócios e relatórios financeiros. A empresa era grande e a atividade dela dependia da rapidez e da exatidão do nosso trabalho editorial. Lembro-me da pressão de um prazo iminente e o estresse de ficar pensando se tinha cometido algum erro em um comunicado que acabara de ser publicado.
Assim, embora houvesse aspectos positivos que me motivavam no trabalho (por exemplo, a satisfação de aprender uma nova habilidade, a empolgação de cumprir um prazo desafiador ou um elogio de um colega), a motivação predominante naquele ambiente tinha um caráter mais negativo. Eu me sentia motivado a trabalhar com empenho para evitar o constrangimento de cometer um erro e o medo de ser demitido.
Motivações positivas e negativas fazem parte da vida de todos nós. Ambas podem ser bastante úteis para nos impulsionar a fazer coisas boas e a evitar decisões ruins. Entendo por motivação negativa o impulso que nos leva a agir para evitar ou reduzir a dor, o fracasso ou algum resultado desfavorável. Em contraste, a motivação positiva é o impulso para agir em razão do encorajamento, do apoio recebido ou da perspectiva de sucesso e recompensa.
A Bíblia revela que Deus emprega tanto motivações positivas quanto negativas para orientar o Seu povo. Deuteronômio 30:15-18 diz:
"Vês aqui, hoje te tenho proposto a vida e o bem, a morte e o mal; porquanto te ordeno, hoje, que ames o SENHOR, teu Deus, que andes nos Seus caminhos e que guardes os Seus mandamentos, e os Seus estatutos, e os Seus juízos, para que vivas e te multipliques, e o SENHOR, teu Deus, te abençoe na terra, a qual passas a possuir".
"Porém, se o teu coração se desviar, e não quiseres dar ouvidos, e fores seduzido para te inclinares a outros deuses, e os servires, então, Eu te denuncio, hoje, que, certamente, perecerás; não prolongarás os dias na terra a que vais, passando o Jordão, para que, entrando nela, a possuas".
Deus destaca os benefícios de escolher o Seu caminho (bênçãos e vida), mas também alerta sobre as consequências de se afastar dEle (maldições e morte). Isso acontece porque faz parte da natureza humana precisar tanto de motivações positivas quanto de negativas para permanecer no caminho certo. É importante lembrar que Deus provavelmente empregará ambos os tipos de motivação em nossa vida. Cabe a nós discernir o que realmente está motivando nossas escolhas. O ideal é que sejamos motivados pelas razões certas, da maneira certa e no momento certo.
Um exemplo desse princípio na Bíblia é a experiência de Paulo (então chamado Saulo) no caminho de Damasco. Depois de ser envolvido por uma luz intensa, Após ser envolvido por uma luz ofuscante, Deus lhe aparece e o admoesta severamente. Então ele pergunta: “Senhor, que queres que eu faça?” (Atos 9:6). Aquele encontro marcante despertou nele humildade e o impulsionou à ação.
Enquanto aprendemos a reagir adequadamente aos diferentes tipos de motivação e a seguir o exemplo de Paulo, devemos estar atentos a duas armadilhas.
O problema da motivação baseada no medo ou na dor
O medo é um poderoso fator de motivação. A manutenção da ordem na sociedade atual depende, em grande medida, do risco de sofrer as consequências e do temor da punição. A ameaça de prisão ou de uma multa elevada leva muitas pessoas a pensar duas vezes antes de agir de forma perigosa ou imprudente. Contudo, essa estratégia não é suficiente, pois a maioria de nós concordaria que, em um mundo ideal, as pessoas fariam o bem sem precisar ser motivadas pelo medo ou pela ameaça de punição. A convivência nas empresas e nas salas de aula torna-se muito mais harmoniosa quando predominam motivações positivas, como a satisfação de realizar um bom trabalho e a expectativa de reconhecimento, de uma promoção ou de excelentes notas.
No âmbito espiritual, as motivações negativas incluem o risco de enfrentar a punição do lago de fogo (ver o guia de estudo bíblico gratuito “O Que Acontece Depois da Morte?”). E as motivações positivas decorrem da promessa de viver em comunhão com Deus, desfrutar de verdadeira alegria e paz e herdar o Seu Reino.
Quando somos motivados apenas por fatores negativos, corremos o risco de perder o incentivo para permanecer no caminho certo caso o medo ou a ameaça deixem de existir. Em diferentes momentos da história da Igreja, falsos líderes e mestres convenceram seus seguidores de que não seriam punidos por deixar de guardar o sábado e outros preceitos da lei de Deus. O resultado foi que muitos abandonaram a fé. Isso parece ter ocorrido porque o temor das consequências era uma das principais motivações para permanecerem fiéis. Faltavam-lhes a alegria e o amor pela lei de Deus, bem como a convicção de que, mesmo que não houvesse nenhuma consequência por deixar de guardar o sábado e os dias santos, ainda existiria uma motivação positiva: o profundo desejo de conhecer a Deus, desenvolver um relacionamento íntimo com Ele e refletir cada vez mais o Seu caráter.
Pergunte a si mesmo: Costumo aprender da maneira mais difícil? Preciso enfrentar as consequências negativas para “entender a mensagem” e mudar ou melhorar? Quando recebo uma motivação positiva, ela me inspira a fazer ainda mais o bem ou acabo me acomodando?
O problema de depender apenas de motivações positivas
À primeira vista, isso pode até parecer algo positivo. Talvez você goste de receber elogios e encontre motivação em palavras de incentivo. Esse tipo de encorajamento pode ser uma motivação saudável, e saber disso pode ajudá-lo a compreender melhor suas próprias motivações. E, quando estiver desanimado, poderá recorrer a amigos e familiares em busca de apoio, conforto e encorajamento.
Em algum momento da vida, todos nós teremos de lidar com críticas. Quem nunca recebe críticas provavelmente evita assumir riscos e permanece na zona de conforto. Aprender a manter a motivação mesmo diante de críticas é uma habilidade importante.
Infelizmente, nem sempre as pessoas sabem como fazer críticas construtivas ou expressá-las com sensibilidade em momentos de tensão. E, se sua motivação depende apenas de elogios e incentivo, as críticas podem paralisá-lo justamente quando você mais precisa tomar decisões. Também já me senti assim em algumas ocasiões. Às vezes, o receio de cometer um erro faz com que eu me torne cauteloso demais e demore a agir ou a tomar decisões. Mas Deus deseja algo muito melhor para nós.
Segundo o escritor e consultor em inteligência emocional Justin Bariso, manter em mente a expressão “use a dificuldade” pode nos ajudar a mudar nossa perspectiva. Em vez de nos sentirmos sobrecarregados quando algo negativo acontece, devemos lembrar que podemos usar essa situação a nosso favor. Ele escreve: “Muitas vezes, diante de circunstâncias desafiadoras, tendemos a concentrar nossa atenção no resultado final, na expectativa de que as coisas acabem melhorando. Isso pode ser útil”.
“Mas, quando o foco passa a ser usar a dificuldade a nosso favor, passa-se a contar com um instrumento adicional que permite encontrar algo de valor na situação. Isso muda a perspectiva, permitindo aproveitar até mesmo as circunstâncias mais difíceis para delas extrair algo positivo”.
Em outras palavras, além da certeza de que todas as coisas cooperam para o bem no longo prazo (Romanos 8:28), podemos transformar um cenário negativo em uma oportunidade imediata de crescimento e aprendizado. Essa atitude pode nos tornar cristãos mais resilientes, corajosos e firmes diante das dificuldades.
Mais adiante em seu artigo, Bariso sugere refletir sobre perguntas como as seguintes para aprender a “usar a dificuldade a seu favor”:
O que há de positivo nessa situação? O que posso aprender com ela?
Como posso usar essa aparente desvantagem, revés ou desafio em meu favor?
Poderíamos ainda acrescentar: “Que lição Deus deseja que eu aprenda com isso?”
No inverno passado, sofri uma lesão no joelho enquanto jogava vôlei. Descobri que havia rompido completamente o ligamento cruzado anterior. Isso significou cirurgia, oito semanas de muletas, mobilidade limitada e muita fisioterapia, que segue até hoje. Nada disso foi fácil, especialmente com uma criança pequena em casa. Além disso, foi um acontecimento difícil por ter sido completamente inesperado. Até então, eu nunca havia tido problemas no joelho nem sofrido uma lesão mais grave.
Diante de tudo isso, o desânimo quase me fez concluir que o melhor seria deixar de praticar esportes e evitar qualquer atividade mais intensa. Mas tive muito tempo para refletir sobre tudo o que aconteceu e percebi que não queria deixar o medo de outra lesão controlar a minha vida. O tempo que passei na fisioterapia me fez valorizar a importância de aprender a cuidar melhor do meu corpo e fortalecê-lo da maneira correta. Além disso, passei a ter muito mais empatia por pessoas que enfrentam lesões graves ou sérios problemas de saúde. Muitas vezes, percebemos o valor das coisas apenas quando as perdemos.
Eu poderia escrever muito mais sobre tudo o que tenho aprendido durante minha lesão e recuperação (e talvez ainda o faça), mas, por enquanto, basta destacar que até mesmo as provações mais difíceis podem nos ensinar lições valiosas.
Reveja as categorias apresentadas acima e procure identificar quais delas melhor refletem suas motivações. Em seguida, reserve um tempo para registrar suas respostas por escrito. Essa reflexão pode ser um excelente ponto de partida para orações específicas, pedindo a Deus sabedoria e discernimento para identificar áreas de sua vida que estejam impedindo seu crescimento espiritual. Quando discernimos nossas motivações e buscamos a direção de Deus, aprendemos e crescemos em todas as circunstâncias da vida, sejam elas favoráveis ou adversas.