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Por que vocês ensinam que as pessoas não vão conscientemente para o céu ou para o inferno ao morrer, se a Bíblia ensina o contrário?

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A Bíblia não ensina isso, como muitos pensam. Embora a crença de que as pessoas permanecem conscientes e vão logo para o céu ou para o inferno ao morrer esteja profundamente enraizada em muitas tradições religiosas, uma leitura cuidadosa da Bíblia mostra algo diferente, ou seja, uma visão mais harmoniosa e repleta de esperança sobre o plano de Deus para a humanidade. Além disso, ela revela que os mortos não estão conscientes em uma vida pós-morte, mas estão em um estado comparado a um "sono", aguardando uma futura ressurreição, quando serão julgados e receberão sua recompensa ou punição (Jó 14:12-15; Daniel 12:2-3; João 5:28-29).

A Bíblia explica claramente que a morte é um estado de inconsciência. Em Eclesiastes 9:5 lemos: “Os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma” (grifo nosso). E o versículo 10 completa: “Na sepultura, para onde tu vais, não há obra nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria alguma” (ACF). Assim, a morte é uma cessação total da existência consciente. Os mortos não estão vivos nem conscientes no céu ou no inferno ou em qualquer outro lugar, eles simplesmente estão mortos.

Esse fato é reforçado pela maneira como Jesus e os apóstolos se referem à morte. Quando Lázaro morreu, Jesus disse claramente: “Lázaro, o nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo do sono” (João 11:11). Mas Seus discípulos entenderam mal, pensando que Ele falava apenas de um descanso físico. Então Jesus esclareceu: “Lázaro está morto” (versículo 14). A analogia entre a morte e o sono é recorrente nas Escrituras, especialmente nas epístolas de Paulo. Em 1 Tessalonicenses 4:14 ele menciona “os que em Jesus dormem”, e em 1 Coríntios 15 ele repete diversas vezes a expressão “os que dormiram” para se referir aos mortos. Assim como alguém que dorme está inconsciente e alheio à passagem do tempo, o mesmo ocorre com a morte.

Além disso, João 3:13 declara: “Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do Homem, que está no céu”. Pelo menos a última parte desse versículo foi escrita por João depois que Jesus retornou ao céu. Se os seres humanos fossem para o céu ao morrer, essa afirmação seria falsa. Até mesmo o rei Davi, “um homem segundo o coração de Deus”, morreu e foi sepultado, pois as Escrituras dizem claramente que “Davi não subiu aos céus” (Atos 2:29, 34). Em Hebreus 11, o autor destaca a fé de inúmeros homens e mulheres justos do passado, mas conclui afirmando: “E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa” (Hebreus 11:39). Eles aguardam uma ressurreição futura.

A ressurreição é fundamental para a esperança bíblica da vida eterna. A Bíblia ensina de forma clara e constante que os mortos ressuscitarão quando Jesus Cristo voltar. Em 1 Coríntios 15, chamado de “o capítulo da ressurreição”, Paulo diz que Cristo é “as primícias dos que dormem” e que “assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” (versículos 20-22). Os mortos não são vivificados imediatamente após a morte, mas ressuscitarão no futuro. Paulo enfatiza que essa ressurreição ocorrerá na vinda de Cristo (versículo 23). Nesse momento, e não antes, os fiéis receberão a imortalidade prometida.

A Bíblia também mostra que o julgamento dos ímpios não acontece logo após a morte. Apocalipse 20 descreve um tempo futuro em que os mortos ressuscitarão e serão julgados “segundo as suas obras” (versículo 12). Aqueles cujos nomes não estão escritos no livro da vida serão lançados no lago de fogo, denominado “a segunda morte” (versículo 14). Isso significa que o castigo dos ímpios não é um tormento eterno consciente que começa com a morte, mas a destruição total após um julgamento vindouro. Malaquias 4:1-3 diz: “Porque eis que aquele dia vem ardendo como forno...[em que] todos os que cometem impiedade serão como palha...se farão cinza debaixo das plantas de vossos pés”.

Alguns usam as palavras de Jesus ao ladrão na cruz, registradas em Lucas 23:43 — traduzida na versão Almeida Revista e Corrigida “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” — como prova de que há uma recompensa imediata após a morte. Contudo, os manuscritos gregos originais não possuíam pontuação, e não há nenhuma palavra no texto que corresponda à conjunção “que” encontrada na versão em português deste versículo. Então, a tradução correta é: “Em verdade te digo hoje, estarás comigo no Paraíso". A maioria dos tradutores da Bíblia, partindo do pressuposto de que Jesus estava prometendo ao criminoso entrada imediata no céu, alterou o significado de Suas palavras. Ademais, Jesus não ascendeu ao céu naquele mesmo dia, mas permaneceu na sepultura por três dias (Mateus 12:40) e, após ressuscitar dos mortos, disse a Maria Madalena: "Ainda não subi para meu Pai" (João 20:17). Jesus não foi para o paraíso no dia em que morreu, e tampouco o ladrão.

Outras passagens frequentemente usadas para apoiar a ideia de uma vida imediata após a morte também devem ser compreendidas à luz do que o restante da Bíblia ensina sobre isso.

Enfim, o ensinamento de que os mortos vão imediatamente para o céu ou para o inferno não é compatível com o testemunho integral das Escrituras. O ensinamento bíblico apresenta a morte como uma inconsciência temporária e a ressurreição futura como o momento em que se cumpre o destino humano. A verdade é que os mortos não se alegram nem sofrem em uma vida desencarnada após a morte em lugar algum, mas permanecem completamente inconscientes, aguardando o cumprimento do plano de salvação de Deus através de Jesus Cristo. Essa é a verdadeira esperança que a Bíblia oferece, ou seja, uma ressurreição para a vida na era vindoura.

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