Os Sábados não são para ser guardados? (Colossenses 2:16-17)

Colossenses 2:16-17 é uma das passagens mais comumente usadas para documentar a afirmação de que o Sábado e os Dias Santos de Deus NÃO são obrigados a serem guardados na Nova Aliança. A conclusão errônea é que o "julgamento" se refere aos judaizantes tentando pressionar os colossenses a guardar esses dias, que Paulo supostamente diz que não deveriam ser guardados porque são apenas uma sombra da realidade espiritual — Jesus Cristo. Neste sermão vamos fazer uma análise completa desses versículos para ver o que eles significam.

Transcrição

Bom dia ou boa tarde queridos irmãos aqui é Jorge Campos.

CL 2:16-17 uma das passagens mais comumente usadas para documentar a afirmação de que o Sábado e os dias santos de Deus não são obrigados a serem guardados na nova aliança.

A conclusão aí se refere aos judaizantes tentando  pressionar os colossenses a guardar esses dias que Paulo supostamente diz que não deveriam ser  guardados porque são apenas uma sombra da realidade espiritual de Jesus Cristo.

Ora, queridos irmãos, hoje neste sermão vamos fazer uma análise completa desses versículos para ver o que significam e para isso vamos começar  examinando o contexto da época e da regia o dos colossenses.

Esta epístola que foi escrita acerca do ano 60-62 DC, cerca de 30 anos depois de Cristo ter morrido e isso foi quando Paulo estava prisioneiro em Roma.

Embora a população de Colossos fosse majoritariamente gentia havia um grande assentamento judaico desde os tempos de Antióquio, o grande, cerca de 223 a 187 AC.

A população mista de gentios e judeus em Colossos se manifestava tanto na composição da  igreja quanto na heresia que a assolava.

A igreja de Deus na região dos colossenses começou durante o mistério de Paulo em Éfeso por 3 anos na sua terceira viagem missionária que vemos em AT 19 baseado em AT 20:31.

O fundador da igreja em Colossos não foi Paulo  como lemos em CL2:1, mas foi Epafras como lemos em CL 1:5-7 e Epafras foi aparentemente convertido durante uma visita sua a Éfeso e quando retornou a sua casa provavelmente então iniciou a igreja em Colossos.

Vários anos depois de ser fundada uma heresia  perigosa surgiu a ameaça-la que continha elementos do quem veio a ser conhecido: o agnosticismo.

Epafras estava tão preocupado com esta heresia  que então fez esta longa viagem de Colossos a Roma como lemos em CL 4:12-13 onde Paulo era um prisioneiro.

E Paulo escreveu esta epístola para alertar os colossenses contra esta heresia que enfrentavam e assim enviou  carta por meio de Tíquico que estava acompanhando o escravo Onésimo que ia de volta ao seu mestre Filemon e esse mestre era um membro da igreja de Colossos como lemos em CL 4:7-9.

É bem possível que Epafras ficou atrás para receber mais instruções de Paulo como lemos em FM 23.

Ora, notem que a heresia em Colossos não era um caso de judaizantes, mas um caso de gnosticismo e muitos pensam que eram ambos por causa de referência à circuncisão, ao Sábado e dias santos.

Mas notem que o gnosticismo não era uma religião e sim um conceito religioso, uma abordagem que podia ser combinada com qualquer religião, isto é, este conceito podia ser posto em cima de qualquer religião.

Com a promessa de melhorar essa religião, por ex., como uma mistura prática para adicionar a algo quando você está a cozinhar para facilitar o trabalho dessa preparação, como uma mistura especial a ajudar a carne moída e ajudar nesse processo de fazer, digamos assim, um hamburger.

Ou seja, o gnosticismo era como se fosse uma melhoria para essa religião sendo importante entendermos isso, irmãos, que o judaísmo gnóstico, já influenciado pelo gnosticismo e buscando absorver a religião cristã que era emergente com as suas abordagens e misturas sincréticas.

E isso era o principal problema e culpado que Paulo combatia nesta epístola assim como é o caso da epístola aos GL e outras do NT.

Ora, este fato e este conhecimento nos dá uma perspectiva de importância vital para  entendermos os pontos que Paulo está a apresentar em CL2:16-17 e por isso, hoje, irmãos, depois de eu dar esta explicação básica da situação do que acontecia nessa região e era, irei explicar esses versículos dando assim uma clareza ainda mais profunda deste contexto religiosa da era que estava a dar ao cristianismo.

E isso é que criou as condições as quais Paulo estava se dirigindo nessa epístola aos colossenses e então vamos dar um breve resumo dos princípios básicos do gnosticismo para podermos  entender os argumentos filosóficos dos problemas em Colossos que Paulo estava abordando.

Ora, um desses princípios do gnosticismo era que Deus é bom, mas a matéria é má.

Por um dos lados extremos o gnosticismo conduziu as pessoas no caminho do asceticismo onde Deus é bom, mas a matéria é má, num extremo causou ou levou as pessoas  ao caminho desse asceticismo, isto é, evitar prazer físico pois isso era considerado mau.

E por isso era uma ideia de se purificar da matéria que era má por meio do asceticismo que era o de evitar os prazeres físicos e punindo a carne sendo isso um lado extremo.

Mas o outro extremo era um elemento libertino do gnosticismo que adotava uma abordagem oposta de que visto que não se pode evitar a matéria física e por isso ser espiritual é completamente alheio a matéria físico.

E por isso para nós sermos seres espirituais se pode fazer o que quiser com a carne porque isso não limita nós sermos  espirituais, diferente da carne.

Esses são dois extremos, mas o lado extremo conduzindo ao caminho ascético é o alvo da advertência de Paulo em CL 2.

Outras ideias do gnosticismo além do asceticismo, outra ideias e aspectos exigiam a adoração de anjos e a experiência mística.

Ora, isso tinha assumido várias formas incluindo a celebração de dias especiais e outros costumes religiosos baseados  em conceitos astrológicos de tempo.

Que nada mais seriam dias pagãos e ora, o gnosticismo alcançou grande sucesso tanto no judaísmo como no cristianismo e isso é evidenciado porque vemos muitos conceitos e termos gnósticos encontrados em várias epístolas no NT.

Além dos conceitos já referidos como Deus é bom, mas a matéria é má, e adoração a anjos , outros incluídos no cristianismo eram que Jesus Cristo era apenas emanações que desciam de Deus e JC por isso era menor do que Deus  e também incluía a ideia de que era necessário ter um conhecimento e daí a palavra gnóstico que quer dizer: conhecimento.

Um conhecimento secreto e superior acima  e para além das escrituras e isso era necessário para uma pessoa ser iluminada, isto é, para entender melhor Deus  e o plano de salvação.

E então isso era outro conceito gnóstico e esta heresia dos colossenses abraçou o legalismo judaico e também  o asceticismo rígido de evitar prazer físico.

E com esta breve explicação de gnosticismo como um pano de fundo, um contexto ideológico dessa era e região então agora vamos abordar a epístola aos colossenses em particular CL 2.

Começando em CL 1 Paulo inicia com a saudação e enfatiza que os colossenses sejam cheios e aumentem em conhecimento e vejamos nos vs.9-10: “por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos não cessamos de orar por vós e de pedir que sejais cheios do conhecimento de sua vontade em toda a sabedoria e inteligência espiritual”

E v.10: “pra que posseis dar dignamente diante do Senhor agrando em tudo e frutificando em toda a boa obra crescendo no conhecimento de Deus”

Se vê aqui que fala duas vezes acerca de conhecimento que é uma palavra em grego que vem da palavra gnosis, mas aqui esta palavra nos vs. 9-10 e a palavra grega 1922 que é a palavra epinosis, e não é só nosis e sim epinosis.

Não é só um conhecimento, mas um conhecimento completo pois tem a preposição epi que significa completo conhecimento e aqui está  um posicionamento, irmãos, que é sútil.

Em que diz que, digamos assim, sutilmente que o gnosticismo não era um completo conhecimento e a primazia de Jesus encarnado também  é um ponto importante na ênfase por causa das reivindicações cristo lógicas heréticas do gnosticismo.

Vejam a ênfase no corpo de Cristo naturalmente em CL 1:22 diz assim: “no corpo da sua carne, literalmente falando do corpo físico de Jesus Cristo, e também figurativamente”

Vejam no v.18: “Ele, Cristo, é a cabeça do corpo, está claro, do corpo espiritual, isto é, da igreja e também no v.24: “padeço agora por vós na minha carne cumpro estas aflições de Cristo pelo seu corpo que é a igreja”

Ele aqui está figurativamente se referindo ao corpo de Cristo espiritual que é a igreja e está a enfatizar isso porque a divindade e a humanidade tal como espírito e carne eram totalmente incompatíveis de acordo como o conceito gnóstico dualístico de que a matéria é má e Deus é bom.

Aqui se refere a Cristo como matéria na sua primeira vinda e por isso se vê aqui que era completamente inconcebível para amente gnóstica que Deus poderia ser literalmente em carne e sangue.

Aliás, lemos isso em JO mencionando isso é o anti cristo esse ensinamento.

Por isso Paulo usa a palavra grega soma significando literalmente corpo, a palavra grega 4983 em CL 1:22 e em CL 2:9 diz assim: “porque Nele habita corporalmente, que é a palavra soma ticos, 4985, e aqui está ele sublinhando a corporalidade física de Cristo que é um ponto fundamental da mensagem de que Cristo morreu na cruz e que foi crucificado”

E que Paulo também está enfatizando de que a igreja é o corpo de Cristo usando figurativamente a palavra grega para corpo, isto é, soma, grego 4983, e se vê isso em CL 1:18 e também 1:24 e CL 2:17 que já vamos abordar mais adiante, CL 2:19 e CL 3:15.

E além disso, em CL 2:4-8 Paulo claramente identifica a heresia colossense como sistema filosófico de adoração de rudimentos do mundo e lendo CL4:8: “e digo isto para que ninguém vos engane com palavras persuasivas porque ainda que esteja ausente quanto ao corpo contudo em espírito estou convosco regozijando-me  e vendo a vossa ordem e firmeza em Cristo, pois que também o Senhor Jesus Cristo dá Nele enraizados e edificados Nele e confirmados na fé assim como fostes ensinados nela abundando em ação de graças tendo cuidado que ninguém vos faça presa sua por meio de filosofias e vãs sutilezas segundo a tradição dos homens segundo os rudimentos do mundo e não segundo Cristo”

Aqui se vê que ele claramente está a identificar esta heresia colossense como o gnosticismo, filosofias e vãs sutilezas, tradições de homens, rudimentos do mundo.

Rudimentos é da palavra grega 4747 estoicaion, do mundo, palavra grega 2889, cosmos, ora, o comentário bíblico expositivo explica que era mais provável que fosse um sistema de espíritos elementares.

Porque sabemos que CL 2:18 que a heresia colossense dava muita importância ao culto dos anjos, isto é, comentário bíblico expositivo vol. 11, pag. 198.

E vemos e, CL 2:18 que diz assim: “ninguém vos domine a seu arbítrio com pretexto de humildade e culto dos anjos”

E por isso está a falar aqui destes rudimentos do mundo que é muito bem provável que estava a se referir a espíritos de demônios, culto de anjos e vejamos em CL 2:8: “tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua ou como diz na ARA: que ninguém vos venha enredar”

Ele está descrevendo falsos mestres como, digamos assim,  ladrões de homens  por meio de filosofias e vãs sutilezas e que estava a enredar a eles esses falsos mestres, professores e ministros, isto é, ladrões de homens.

E esses falsos ministros desejavam capturar e arrastar esses colossenses para a escravidão espiritual  nessa heresia de culto a anjos como lemos anteriormente.

Esses espíritos elementares segundo os rudimentos do mundo e não segundo Cristo e a  identificação da influência gnóstica é a chave para entendermos muitos vs. que foram descritos como anti judaicos e usados para maldizer algo que fora judaico.

Ora, o gnosticismo misturado como o judaísmo se tornou o catalisador para o introduzir no cristianismo e precisamos de entender a reviravolta gnóstica por traz da suposta judaização.

Precisamos de entender este sincretismo do gnosticismo através dessa suposta judaização e Paulo nesta seção não estava condenando os costumes judaicos, mas a maneira como eles eram observados com este gnosticismo e em CL 2 vemos que a pressão na igreja de Colossos não era de judaizantes e a terminologia nos vs. 8 e 18 de CL 2 e estes são vs. antes e depois dos vs. em questão que estamos a abordar hoje os vs. 16-17.

E estes vs. 8 e 18 Paulo identifica claramente que o problema na igreja de Colossos era o gnosticismo e não o judaísmo.

Portanto, não faz sentido atribuir ao judaísmo ao v.16, por isso o ponto dos vs. 16-17 é que os colossenses não deviam de permitir que esses hereges o julgassem.

Ora, o v.’6 começa assim: portanto ninguém vos julgue ou na ARA diz: pois, e ora isso se vê que as conjunções portanto e, pois, está claramente conectando o v.16 aos vs. anteriores.

Então vamos ver os vs. anteriores iniciando com o v.13: “e quando vós estáveis mortos nos pecados e na incircuncisão da vossa carne vos vivificou juntamente com ele perdoando-vos todas as ofensas”

Aqui o ponto se vê claramente que Cristo perdoou os nossos pecados, mas JC nos vivificou juntamente com Ele e perdoando-vos de todas as ofensas por isso Cristo nos perdoa circuncisos ou não.

Como lemos em RM 3:23: todos pecamos e temos uma dívida impagável com Deus e por que? Por violar a lei de Deus e, portanto, estamos sob a sentença da morte, o salário do pecado é a morte como em RM 6:23

Agora vamos ler o v.14: “havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças a qual de alguma maneira é contrária e atirou do meio de nós e cravando-a na cruz”

Ora, vamos analisar isto devagar passo a passo: havendo riscado, isto é, cancelando a cédula, o escrito de dívida com Deus como está na ARA, aqui vemos Paulo compara graficamente o perdão dos pecados como se fosse que Deus estivesse a pagar ou riscar a tinta aonde esse pecados estavam escritos como por ex. no pergaminho nesse período.

Depois diz: que era contra nós nas suas ordenanças, ora ordenanças vem da palavra grega dogmas, 1378, que significa determinação ou decreto, ora, isso tem a ver com ordenanças de homens e veja no v.8: “está a dizer segundo a tradição dos homens” e veja no v.22: “as quais todas as coisas perecem sobre o uso dos preceitos e doutrinas dos homens”

E aqui parte do nosso pecado, irmãos, não é só quebramos as leis de Deus, mas que nós seguimos ordenanças e costumes de homens.

Ora, antigamente nesse período se um criminoso fosse crucificado eles punham a lista de crimes que tinha cometido e pregada na cruz com esse criminoso para declarar as violações as quais ele estava sendo punido e assim neste simbolismo da maneira que está a escrever aqui que está cravando na cruz está comparado com a lista dos criminosos, isto é, a lista dos pecados desses criminosos e pregada na cruz para mostrar onde ele tinha violado a lei pela qual estava a ser punido.

Sim, para nós a lista de nossos pecados incluindo ordenanças e costumes de homens que nós seguimos e que são erradas as quais de um modo ou outro eram contra nós como diz aqui: a qual de alguma maneira nos era contrária, essas ideias, ordenanças, costumes, tradições de homens eram contra nós e a lei de Deus e por isso essa lista de nossos pecados foi colocada na conta de Cristo.

E essa lista de nossos pecados foi pregada na cruz e assim Ele tomou por sua conta os nossos pecados e assim Ele pagou a penalidade em nosso lugar por nossos pecados.

E por isso aqui no v.14 está a dizer: havendo riscado, Deus eliminou, apagou esta escrita, esta cédula, esta lista de nossos pecados e erros, que eram contra nós, nas ordenanças deste mundo e costumes de homens e de suas tradições, a qual de alguma maneira nos era contrária, essas ordenanças eram contra nós, e por isso tirou do meio de nós estes pecados porque cravou estes pecados através do corpo de Cristo na cruz.

Por isso o que foi riscado e o que foi cravado na cruz foram os nossos pecados, não foi a lei e no v.15: “e despojando os principados e potestades os expôs publicamente e deles triunfou a si mesmo”

Despojando os principados e potestades, como? Pela sua morte e em EF 6:12 diz: “porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes e trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade  nos lugares celestiais”

E por isso em CL 2:15 despojando os principados e potestades está a falar destas hostes espirituais da maldade que menciona aqui em EF 6:12, isto é, estas forças espirituais do mal, isto é, falando de espíritos malignos nos lugares celestiais.

E por isso vemos aqui que Cristo destruiu esta adoração a anjos, um dos conceitos gnósticos dessa adoração de anjos era de subir a escada de emanações para chegar até Deus e essa era a ideia gnóstica de adoração aos anjos.

E por isso vimos nos vs. anteriores de 16-17 de CL 2 e por isso que diz no v.16: portanto, isto está aqui a referir-se aos vs. anteriores a falar claramente do gnosticismo.

O v. seguinte aos vs.16-17 diz assim: “ninguém vos domine a seu arbítrio com pretexto de humildade e culto dos anjos envolvendo-se em coisas que não viu estando em vão inchado na sua carnal compreensão”

A palavra aqui domine era a palavra grega, 2603, que significa enganar contra a sua recompensa, não vos domine ou vos engano quanto a sua recompensa.

Por ex. em inglês na nova versão do rei Tiago, James, diz: “ninguém vos vá defraudar da sua recompensa”

Dominando você e retirando a sua recompensa.

Na NVI diz: “e então que ninguém tenha prazer os impeça de alcançar o prêmio”

Uma vez mais defraudar você da recompensa.

Na NVL, Nova Versão Livre, diz: “não deixem que essas pessoas desqualifiquem a vocês”

E por isso está aqui a dizer no v.18 que ninguém vos domine, ninguém cause a você perder a sua recompensa e depois diz: com pretexto de humildade, isto é, envolvidos em práticas ascéticas.

Sim, porque as práticas ascéticas é como não posso fazer coisas físicas e por isso estão a demonstrar uma certa humildade porque não estão a fazer estas coisas físicas, digamos assim, alegrias físicas, estes prazeres porque para eles tudo isso era mau.

E por isso era um pretexto de humildade e culto de anjos envolvendo-se em coisas que não viu estando em vão inchado na sua carnal compreensão.

Ora, irmãos, vimos que abordamos o contexto da era que era uma questão gnóstica e também abordamos os vs. antes e depois de CL 2:16-17 e vemos claramente que está a falar do assunto no contexto desta seção falando claramente do gnosticismo.

E agora então vamos fazer a exegese destes vs. 16-17 e começando no v.16: portanto, ninguém vos julgue, ora os colossenses estavam a ser julgados acerca de duas coisas: primeiro comer e beber e depois os dias de festas da lua nova e dos Sábados.

Ora, primeiro acerca de comidas e bebidas na ARA diz: ninguém vos julgue por comida e bebida, na NVI tem a expressão: pelos que vocês comem ou bebem, na NVT, Nova Versão Transformadora, tem: pelo que comem ou bebem.

Ora, essas traduções que falam de comida e bebida ou pelo que comem e bebem são traduções imprecisas e enganosas, das palavras gregas proxis e posis que significam comida ou pelo comer ou pelo beber.

Por isso a melhor tradução está na ACF ou na ARC que diz: “ninguém vos julgue pelo comer ou pelo beber”

É diferente, é sútil, mas é diferente as expressões: pelo beber e comer do que vocês comem e bebem.

E as práticas que estavam em ataque a julgar os colossenses não era relacionado com o que podiam ou não comer, mas era como comiam ou bebiam.

Era acerca do ato de comer e beber num processo de adoração porque quando celebravam as suas solenidades comiam e bebiam numa alegria.

Ora, isso era incompatível ou ascetismo que não podiam estar alegres com coisas físicas e por isso essas pessoas eram gnósticas que para eles festejar era considerado uma indulgência a carne e, portanto, pecaminosa.

Por isso a questão mencionada por Paulo aqui era asceticismo ao em vez de limpeza espiritual.

Ora, irmãos, a lei de Deus de carnes limpas e imundas, não é ascética no seu caráter e bebidas não são limpas ou imundas e por isso uma vez mais o tema não era acerca de carnes limpas ou imundas, pelo que vocês comem e bebem, guardar a lei das carnes, mas era acerca do asceticismo contra a alegria nas solenidades cristãs.

Mas como mencionei os colossenses estavam a ser julgados acerca de duas coisas: a primeira era acerca de como comiam, mas a segunda está aqui na segunda parte do v.16: ou por causa dos dias de festa ou lua nova ou dos Sábados.

A palavra por causa vem da palavra grega, 3313, e gramaticalmente  essa palavra “meros” é um substantivo e não uma preposição.

E a palavra “meros” significa uma das partes constituintes de um todo, por ex. está aqui um corpo e uma parte do corpo e por isso “meros” é uma parte de algo que seja inteiro.

E por isso essa palavra “meros” é geralmente traduzida como parte ou porção e aparece 43 vezes no NT.

Vou mencionar ao menos três exs. Em LC 15:12 quando fala do filho pródigo diz: “dá-me a parte, “meros”, da fazenda que me pertence e ele repartiu entre eles a fazenda”

Repartiu entre os filhos e este filho que saiu levou a sua parte, a sua “meros”, este substantivo.

Outro de muitos exs. em AP 16:19 está a falar acerca de Jerusalém e diz: “a grande cidade fendeu-se em três partes, “meros”.

Em AP 20:6 falando acerca daquele que vai estar na primeira ressurreição diz: “bem aventurado e santo aquele que tem parte, “meros”, na primeira ressurreição”

Irmãos, isso significa que só uma parte ou um aspecto da qualidade ou natureza inerente dos dias de festa ou de lua nova ou dos Sábados é que estava sendo criticada, só uma parte desses três eventos.

E nomeadamente a parte que estava sendo criticada era como estavam sendo observados, isto é, com alegria, com comida e bebida numa festividade solene.

Ora, notem que quando se fala da lua nova o único dia de lua nova que é a observar na Bíblia, nomeadamente em LEV 23 é o Dia das Trombetas que é o único dia santo que ocorre numa lua nova e que simboliza a segunda vinda de Cristo.

Por isso o gnosticismo, vemos irmãos, não tinha problema nenhum com guarda de dias especiais, sim, na realidade o gnosticismo guardava certos períodos de tempos astrológicos e isso era uma parte enorme de suas práticas.

E por ex.  vocês veem em GL 4:9-11 que diz: “como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e obras as quais de novo quereis servir? Guardais dias e meses e tempos e anos”

Está a falar desses dias de festividades pagãs gnósticas.

“receio de vós que haja eu trabalhado em vão para convosco”

Por isso o problema aqui em CL 2:16 era a maneira como os membros estavam observando, celebrando, comendo e bebendo, durante as solenidades de Deus.

O que os gnósticos estavam a julgar os cristãos era a maneira como estavam observando, celebrando, isto é, comendo e bebendo, durante as solenidades de Deus.

Agora vamos concluir ao versículo pivotal que é o v.17 e diz assim: “que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo”

Talvez a sua Bíblia você veja que a palavra “é” está em itálico e você deve saber que quando uma palavra aparece em itálico significa que não estava no original.

O v.17 por isso diz que são sombras das coisas, mas o corpo de Cristo.

Ora, primeiro vejamos o verbo que SÃO sombras, é um verbo presente ativo indicativo e que não eram e sim que SÃO, presentemente e apontam e são coisas do que? Do passado? Não! De coisas futuras, coisar por vir!

Para a segunda vinda de Cristo e particularmente para as festas do fim do ano, isto é, cerca de setembro-outubro.

E por isso, irmãos, precisamos de ter cuidado, e particularmente, nestes dois vs. com algumas versões e traduções que mudaram o original, o texto literal, mudaram completamente, precisa ter cuidado!

Temos que ler isto cuidadosamente, estes dois vs., porque as pessoas mudaram o que está escrito e que os entreguei de forma literal do que Paulo realmente escreveu.

E continuando a ver no v.17 a dizer: “que são coisas futuras, mas o corpo de Cristo”

O corpo de Cristo é a igreja de Deus e isso é referido quatro vezes  em CL 1:18,24, CL 2:19 e CL 3:15, o corpo de Cristo espiritual é a igreja de Deus.

Por isso quando as pessoas põem a palavra “é” ali, mas o corpo é de Cristo, está a criar uma anti tese de sombra e o corpo e assim está implicando uma inferioridade e o aspecto do prenúncio das festas lua nova e Sábados em relação a Cristo.

Então isso serve como uma base teológica que não é bíblica para a sua observância sobre a nova aliança e se vê seguindo apenas esta palavra “é”

Por isso irmãos a paráfrase de CL 2:16-17 de acordo com a correta exegese dentro do contexto dessa era e do texto desta epístola como vimos é o seguinte que as solenidades de Deus são memoriais anuais de eventos que aconteceram no passado e as solenidades de Deus são sombras de eventos do futuro durante e após a segunda vinda de Cristo.

Vemos então em conclusão que CL 2:16 não é uma das passagem para documentar a afirmação de que o Sábado e os dias santos de Deus não são obrigados a ser guardados na nova aliança, mas estes vs. afirmam o contrário, isto é, que ninguém vos deve julgar acerca de como guardamos as solenidades de Deus, mas somente a igreja de Deus.

E então no v. seguinte, no 18, Paulo está implorando os irmãos colossenses acerca dessa influência gnóstica dizendo no v.18: ninguém vos domine, isto é, que ninguém vos venha defraudar da vossa recompensa como expliquei a pouco, por meio do engano destas heresias gnósticas pagãs que estavam sendo impostas a eles.

Ora, irmãos, para você e para mim, hoje em dia, estamos colocando em risco a nossa coroa ao jogar fora os dias santos de Deus com base em palavras persuasivas, estamos?

E em CL 2:4 diz: “e vos digo isto: que ninguém vos engane com palavras persuasivas”

Esses eram os gnósticos que estavam a enganar com palavras persuasivas.

Queridos irmãos, isto nos faz lembrar da advertência da era da igreja de Deus ao tempo do fim em AP 3:11 que diz: “eu venho sem demora, guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa”

Irmãos, como diz aqui precisamos de ter muito cuidado, ninguém vos vai dominar ao seu arbítrio com pretexto de humildade e culto de anjos.

Isto é que ninguém vos vá defraudar a sua recompensa e da sua coroa que Deus quer dar a você, guarda o que tens para que ninguém tome a tua coroa.

Talvez a melhor resposta, irmãos, sejam as próprias palavra de Cristo em AP 3:13: “quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz as igrejas”

AMÉM!

Jorge and his wife Kathy serve the Dallas (TX) and Lawton (OK) congregations. Jorge was born in Portuguese East Africa, now Mozambique, and also lived and served the Church in South Africa. He is also responsible for God’s Work in the Portuguese language, and has been visiting Portugal, Brazil and Angola at least once a year. Kathy was born in Pennsylvania and also served for a number of years in South Africa. They are the proud parents of five children, with 12 grandchildren and live in Allen, north of Dallas (TX).