A Esperança que Transcende o Momento
Em meio às incertezas e angústias, onde podemos encontrar esperança duradoura? As Escrituras mostram que a esperança atinge sua plenitude quando a fé e o amor se enraízam no coração. Ao aprendermos a cultivar a quietude para ouvir a voz de Deus, adquirimos a confiança necessária para seguir a Cristo mesmo em tempos de incerteza.
A história que apresento a seguir ilustra nossa caminhada como discípulos de Cristo na atualidade. Há muitos anos, um menino ganhou um objeto de valor inestimável, o relógio dourado de seu falecido avô. Ele o considerava um verdadeiro tesouro. Mas aconteceu que, certo dia, enquanto brincava na fábrica de gelo do seu avô, o menino perdeu o relógio entre os blocos de gelo e a serragem. Ele procurou e vasculhou tudo desesperadamente, mas nada do relógio! Naquele instante, todas as esperanças pareciam ter se dissipado!
Mas também naquele momento ele percebeu o que fazer. Ele parou a correria e ficou em completo silêncio. Assim que seu coração se acalmou, ele pôde ouvir o tique-taque do relógio.
O que isso nos ensina? Nosso Pai celestial concedeu a cada um de nós um dom inestimável e repleto de esperança, vindo do alto e plantado em nossos corações. Todavia, é muito fácil perder de vista esse dom do Alto em meio à correria e às pressões da vida terrena. Manifestamos sinais de desesperança, como se tudo estivesse perdido!
Ainda assim, esse dom do Alto está sempre disponível para quem o busca, se apenas fizermos uma pausa para ouvir não apenas o "tique-taque de um relógio", mas a voz de Deus em Espírito e em Sua Palavra. Essas palavras ressoam e devem ecoar em nosso íntimo além do ruído da nossa natureza humana. Palavras simples, porém, profundas, como: “Aquietai-vos e sabei que Eu sou Deus” (Salmos 46:10). Essas palavras cheias de significado se espelham na atitude daquele menino, que mostrou que aquietar-se também é agir. Elas nos dão esperança além do agora, conforme atendemos ao chamado da voz de Cristo para segui-Lo (Mateus 4:19), sobrepondo-se ao clamor da nossa natureza humana.
Como se manifesta a esperança?
Vamos começar a desenvolver uma definição prática de esperança ouvindo com o coração as palavras de Deus. Mas saiba que isso exigirá uma dose de paciência conforme assimilamos e aprofundamos as palavras do salmista: “Espero no SENHOR com todo o meu ser, e na Sua palavra ponho a minha esperança” (Salmos 130:5, NVI). A partir dessa reflexão, analisemos o que nos diz o apóstolo Paulo em 1 Coríntios 13:13: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor” (ARA).
Nessa passagem, Paulo apresenta três pilares essenciais do caráter cristão que fazem toda a diferença entre o desespero e uma vida guiada por Deus. Afinal, eles estão todos interligados. A fé e o amor, frutos procedentes do Espírito Santo (Gálatas 5:22) e cultivados no terreno do coração, geram em conjunto a esperança, a qual atua como o nutriente indispensável para crescermos em graça e conhecimento.
Encontramos o elo entre a fé e a esperança em Hebreus 11:1: “Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos” (NVI). Paulo detalha ainda mais essa ligação em Romanos 8:24-25: “Porque, em esperança, somos salvos. Ora, a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê, como o esperará? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos”.
A projeção espiritual da esperança
A esperança em Deus constitui um elo espiritual que se projeta além das circunstâncias imediatas da vida, fundamentada na certeza de que as Suas promessas se cumprirão com base em Seu amor. Trata-se de um amor perfeitamente descrito e personificado em 1 João 4:9-10: “Foi assim que Deus manifestou o Seu amor entre nós: enviou o Seu Filho Unigênito ao mundo, para que pudéssemos viver por meio dEle. Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou e enviou Seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (NVI).
A fé na realidade do amor de Deus por nós e a nossa resposta a esse amor nos conduzem diretamente ao que está escrito em Mateus 13:16: "Mas bem-aventurados os vossos olhos, porque veem, e os vossos ouvidos, porque ouvem".
Enquanto reflito sobre isso com você, lembro-me de uma história sobre a construção da Disneylândia na Flórida. Embora tenha fundado a Disneylândia original na Califórnia na década de 1950, Walt Disney sentiu-se limitado pela falta de espaço, razão pela qual planejou um novo complexo na Flórida. Mas ele morreu antes da construção ser finalizada. Conta-se que, na conclusão das obras, um executivo comentou com outro que era uma pena Walt não estar presente para ver tudo aquilo. O colega, porém, respondeu que, na verdade, tudo aquilo só existia porque ele já o tinha visto.
Essa breve história de um homem com uma visão extraordinária ressoa em nossa própria jornada espiritual de esperança descrita em Hebreus 11:13: “Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas, mas, vendo-as de longe, e crendo nelas, e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra”.
A esperança é a fé em marcha!
Contudo, ao nos esforçarmos para abraçar a esperança em tempos desafiadores, devemos estar cientes de que ela não habita sozinha na sala de estar de nossa mente! Em nossa psique, o desespero está sempre à espreita e utiliza-se das mesmas aflições e crises para gerar consequências muito diferentes da esperança, que atua combatendo e substituindo nossos temores.
A esperança não é uma poça de água parada, mas um rio que flui nas correntes da fé e do amor. Ela não é uma dádiva estática ou instantânea. Ela é a “fé em marcha”, que precisa ser exercitada para crescer e dissipar o temor, enquanto nos rendemos à realidade espiritual de que Deus é o oleiro e nós somos o barro (Isaías 64:8). Ele está realizando uma obra em nós (Efésios 2:10; Filipenses 2:13). Jamais percamos de vista o exemplo de nosso Mestre, pois, assim como Ele, precisamos carregar uma cruz antes de receber uma coroa (ver Lucas 14:27).
Note como o apóstolo Paulo articula esses três elementos fundamentais em Romanos 5:1-5 e como se mesclam em uma esperança que floresce após passar por um desafiador amadurecimento do coração.:
“Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo, por meio de quem obtivemos acesso pela fé a esta graça na qual agora estamos firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de Deus. Não só isso, mas também nos gloriamos nas tribulações, porque sabemos que a tribulação produz perseverança; a perseverança, um caráter aprovado; e o caráter aprovado, esperança. E a esperança não nos decepciona, porque Deus derramou Seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que Ele nos concedeu” (NVI).
Aquietar o coração
Assim como o coração daquele menino disparou, o meu também bate forte em certos momentos, e estou certo de que você compartilha dessa mesma sensação.
Gostaria de revelar um texto que mantenho sob o tampo de vidro da minha escrivaninha, pois assim ele jamais estará distante quando eu precisar de um indispensável reequilíbrio! Esses versos foram extraídos de um poema escrito em 1908 por Minnie Louise Haskins, intitulado “God Knows” (Deus Sabe), conhecido também como “The Gate of the Year” (A Porta do Ano). O texto foi lido pelo rei Jorge VI em 1939, enquanto as sombras da Segunda Guerra Mundial se alastravam pelo mundo:
“E eu disse ao homem que estava à porta do ano: ‘Dá-me luz para que caminhe em segurança rumo ao desconhecido’. E ele respondeu: ‘Sai para a escuridão e põe a tua mão na Mão de Deus. Isso será para ti melhor do que a luz e mais seguro do que um caminho conhecido’. Portanto, saí e ao encontrar a Mão de Deus, atravessei alegremente a noite. E Ele guiou-me em direção às colinas e ao nascer do dia. Portanto, aquieta-te, coração…Deus sabe. E a vontade dEle é o que há de melhor. O desenrolar dos anos à frente, tão nublado para nossa visão limitada, é límpido para Ele. Nossos temores são precipitados, pois nEle o tempo encontra sua plena medida”.
Agora é tempo de aquietar o coração e segurar a mão de Deus, que nos espera com um gesto generoso e uma promessa de esperança!