A Imutabilidade de Deus

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O Pai Celestial e Seu Filho Jesus Cristo resplandecem sobre nossas vidas com dedicação absoluta. Caso você se sinta distante dEles, você só precisa retornar. Pois Eles estão sempre prontos para nos orientar e nos socorrer.

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Em uma caminhada por um belo parque, notei um dos meus enfeites de jardim favoritos em uma área aberta e fui direto até ele. Não era a exuberância da natureza, mas um relógio solar, que sempre teve um valor pessoal especial para mim. E não fui até lá para ver se estava funcionando ou checar as horas, mas para ver o firme gnômon — aquela haste saliente que monitora a luz do dia através da projeção de sua sombra.

O significado dessa minha observação traz consigo uma certeza que fortalece meu desejo de atender ao sublime chamado de seguir a Jesus Cristo (Mateus 4:19). Encontramos o fundamento disso em Tiago 1:17-18: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em Quem não há mudança, nem sombra de variação. Segundo a Sua vontade, Ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como primícias das Suas criaturas” (grifo nosso).

Você notou isso? “Não há mudança, nem sombra de variação”! Palavras magníficas e inspiradoras que exprimem uma realidade superior à imaginação humana, discernível apenas mediante a direção do Espírito de Deus. Francamente, essa passagem é o meu porto seguro, e esse é justamente o propósito dela! Ela serve como uma expressiva mensagem visual de uma realidade espiritual que envolve tanto ao nosso Pai Celestial quanto ao Seu Filho, Jesus Cristo. Afinal de contas, Jesus afirmou: “Qualquer um que Me viu, viu o Pai” (João 14:9, Bíblia Viva). Assim, podemos dizer: “Tal Pai, tal Filho”.

E a maravilhosa verdade é que sempre podemos contar com Eles.

Deus é sempre luz em plenitude!

Meu propósito ao compartilhar esses momentos é imprimir em seu coração uma verdade tão profunda que o leve a se unir a mim no firme propósito de jamais se afastar de um Deus gracioso, amoroso e imutável, no qual não “há mudança, nem sombra de variação” em relação a nós. Lembre-se que um relógio solar funciona apenas sob a luz física, mas Deus é sempre em luz, iluminando-nos até mesmo em nossos momentos mais sombrios!

Vivemos em um mundo frenético, que está em constante movimento e mudança. Por alguns instantes, meditemos na admoestação de Deus a Davi: “Aquietai-vos e sabei que Eu sou Deus” (Salmos 46:10). Vejamos algumas passagens onde o Pai Celestial e Jesus Cristo, a Palavra viva de Deus (João 1:1-3, 14), são descritos como resolutos e zelosos pelo nosso bem-estar espiritual.

Em Malaquias 3:6, Deus compartilha algo sobre Si mesmo: “Porque Eu, o SENHOR [YHWH, Aquele que sempre existe], não mudo”. Deus simplesmente “é” — eternamente. Tanto o Pai quanto Aquele que veio a ser Jesus Cristo compartilham esse Nome e a afirmação em primeira pessoa “EU SOU” (Êxodo 3:14; João 8:58) — “Aquele que é, que era e que há de vir” (Apocalipse 1:8, Almeida Revista e Atualizada). Essa identidade expressa não apenas o poder onipotente e autossuficiente de Deus e Sua existência eterna, mas também o caráter imutável de Deus e Seus atributos de relacionamento. O pulsar imortal desse caráter é resumido em 1 João 4:8-9: “Deus é amor. Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o Seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dEle” (Almeida Revista e Atualizada). Assim a vinda de Jesus à Terra em carne tornou o amor de Deus por nós personificado de modo único e eterno.

Em Hebreus 13, vemos a promessa de Deus: “Não te deixarei, nem te desampararei”, seguida por esta afirmação: “Jesus Cristo o mesmo ontem, e hoje, e eternamente” (versículos 5 e 8).

Um farol nos tempos de crise

Esse é o mesmo Jesus que disse: “Eu sou a luz do mundo; quem Me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (João 8:12).

Ele é Aquele que trouxe luz ao mundo de escuridão dum homem que nasceu cego, e este homem curado afirmou: “Eu era cego e agora vejo” (João 9:25, Almeida Revista e Atualizada). Lamentavelmente, essa confissão o levou a ser rejeitado por seus vizinhos, por sua família e por seu círculo religioso. Ainda assim, nessa hora mais sombria, Jesus o procura e lhe pergunta: “Crês tu no Filho de Deus?” (versículo 35). Agora, esse futuro discípulo não recuperou apenas a visão física, mas também a espiritual, e aprendeu que, assim como o Pai, o Filho de Deus não muda — Ele está sempre em plena luz. Precisamos desse mesmo despertar espiritual daquele homem.

Então não basta crer que Jesus é o Filho de Deus, mas é preciso caminhar convicto de que Ele sempre ilumina nossa vida, mesmo em nossos momentos mais sombrios. Acaso Ele não nos revelou Sua presença constante e imutável por meio de Sua promessa, para que essa verdade moldasse nossa compreensão e nossa confiança? Ele disse: “Eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” (Mateus 28:20, NVI).

Talvez não seja “o fim dos tempos” que mais nos preocupe, mas o agora, quando tudo parece nebuloso e nos sentimos abandonados, como se estivéssemos no “vale da sombra da morte” (Salmos 23:4).

Talvez você esteja sentindo que Deus se afastou e o desamparou. Mas, por favor, permita-me lhe fazer uma pergunta. Se você sente que o seu relacionamento com Deus está rompido, será que foi Aquele “em Quem não há mudança, nem sombra de variação” que se afastou de você, ou foi você quem se afastou dEle? Precisamos admitir quem de fato se afastou e retornar à luz.

A confiança de Jesus em Seu Pai diante da morte

Deixe-me lembrá-lo de três versículos singelos, porém de alcance eterno, proferidos por nosso Salvador — Aquele que nos chamou para segui-Lo e que, acima de tudo, viveu o que ensinou mesmo diante da escuridão e da morte que se aproximavam.

Em um momento de trevas na aldeia de Betânia, enquanto amigos e familiares lamentavam a morte de Lázaro, Jesus, diante daquela tumba aberta, proclamou a todos os presentes uma mensagem que continua ecoando até a nossa época: “Pai, graças Te dou, por Me haveres ouvido. Eu bem sei que sempre Me ouves” (João 11:41-42). Jesus sabia que com o Pai dEle, que é nosso Pai também, não há qualquer sombra de mudança nos tempos de necessidade.

Na escuridão de um jardim, durante Sua última noite como ser humano, Jesus suplicava ao Pai por um caminho alternativo àquele que percorreria em nosso favor. Ele suplicou com fervor: “Pai, se queres, passa de Mim este cálice...” (Lucas 22:42). Independentemente da resposta do Alto, nosso herói espiritual já havia manifestado sua firme decisão nas palavras que proferiu a seguir: “…todavia, não se faça a Minha vontade, mas a Tua”. Não haveria variação nem sombra de mudança, nem no Deus que habita o Alto, nem no “Filho do Homem” que estava na Terra.

O último suspiro de Jesus revela a plenitude do amor divino para cada um de nós. Lucas 23:46 registra: “E, clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito. E, havendo dito isso, expirou”. Este versículo imortaliza o momento e mostra a profunda consciência de Jesus. Mesmo quando o sangue da coroa de espinhos cravada em Sua cabeça embaçava Sua visão física, Ele encontrou conforto na verdade de que o Seu Deus, também nosso Deus, brilha como o sol do meio dia até mesmo na escuridão da meia noite. Nessa declaração em voz alta reconhecemos Sua convicção e consolo — uma mensagem que ressoa até hoje e nos encoraja.

Uma mudança de rumo

Novamente, cabe refletir sobre quem se afastou. Talvez, como a antiga Israel, você tenha se desviado do caminho, se afastado e concluído que seu relacionamento com o nosso Criador estava acabado. Mas, assim como aconteceu com a antiga Israel, Deus nunca desiste de nós como discípulos de Jesus Cristo, que formam uma Israel espiritual renovada (Gálatas 6:15-16), se tão somente decidirmos retornar para Ele. Além disso, Ele nos ajudará nesse processo de retorno.

O compromisso que Deus assumiu com o Seu povo no livro de Jeremias reflete exatamente o que Ele sente por nós hoje: “Porque sou Eu que conheço os planos que tenho para vocês, diz o Senhor, planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro. Então vocês clamarão a Mim, virão orar a Mim, e Eu os ouvirei. Vocês Me procurarão e Me acharão quando Me procurarem de todo o coração” (Jeremias 29:11-13, NVI).

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